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Abbas suspende negociações com Israel

Ataques a Gaza continuam e confrontos chegam à Cisjordânia

Gaza, O Estadao de S.Paulo

03 de março de 2008 | 00h00

O presidente palestino, Mahmud Abbas, suspendeu ontem as negociações de paz com Israel em resposta à ofensiva do país na Faixa de Gaza, que já matou mais de 100 palestinos em cinco dias. Israel refutou as críticas internacionais e afirmou que continuará os ataques até que os militantes de Gaza - que é controlada pelo grupo islâmico Hamas - parem de lançar foguetes contra seu território. Enquanto o ataque continuava em Gaza, os confrontos se espalharam até a Cisjordânia. Em Hebron, tropas israelenses entraram em confronto com manifestantes e mataram um palestino de 14 anos, que usava uma faixa do Hamas.Em seguida, cerca de 2 mil simpatizantes do grupo radical islâmico saíram às ruas para protestar. "Vingança. Retaliação a Tel-Aviv", gritavam. Forças israelenses também reprimiram protestos em outras cidades da Cisjordânia. O Egito abriu ontem a passagem de Rafah, na fronteira com Gaza, para permitir que os feridos fossem tratados em seus hospitais, e enviou 39 ambulâncias para o local, para transportar para o Cairo os que estivessem em estado mais grave. Cerca de 300 palestinos já haviam cruzado a fronteira, segundo a agência de notícias EFE. "É inconcebível para o Egito não estender a mão a nossos irmãos palestinos, que vêm sofrendo nos últimos dias com a brutalidade de Israel", disse, em nota, a chancelaria egípcia.O ataque israelense de ontem matou 11 palestinos, incluindo uma menina de dois anos. Além disso, outros 10 morreram vítimas de ferimentos da véspera, elevando para 109 o total de mortos desde quarta-feira. Quase metade das vítimas era de civis, segundo a Associated Press. No sábado, foram 61 mortos - o dia mais violento no território desde os anos 80. Dois soldados e um civil israelense também morreram.CONTRA-ATAQUEMesmo sob ataque, os militantes palestinos continuaram ontem a lançar foguetes contra o território israelense. Um dos chefes de polícia de Israel, Uri Bar Lev, disse à rede BBC que a cidade fronteiriça de Sderot foi atingida por 15 foguetes, deixando dez feridos. Ele afirmou que cerca de 50 foguetes caem no local por dia. A incursão israelense provocou reação de órgãos internacionais e protestos de palestinos refugiados no Líbano, na Jordânia e na Síria.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, acusou Israel de usar "força excessiva" e pediu o fim dos ataques. A União Européia também divulgou uma nota condenando as ações. Os EUA pediram o fim da violência e a retomada das negociações. O conflito pode prejudicar a visita que a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, fará à região na terça-feira, para retomar as negociações de paz que tiveram início há três meses.O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse ontem que seu governo "está interessado nas negociações, mas não sob o preço de abrir mão dos direitos de proteger nossos cidadãos".AP, AFP, NYT E REUTERSCRONOLOGIA27/2 - Foguetes do Hamas matam civil israelense na cidade de Sderot 28/2 - Ataque aéreo de Israel na Faixa de Gaza mata 20 palestinos; 5 eram meninos que jogavam futebol. Ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, adverte para a possibilidade de uma ofensiva terrestre em Gaza29/2 - Vice-ministro de Defesa de Israel, Matan Vilnai, provoca polêmica ao dizer que Gaza pode enfrentar um ?holocausto? se militantes palestinos não cessarem ataques diários com com foguetes1/3 - Israel intensifica ataques e mata 61 palestinos em Gaza. Autoridade Palestina diz que ação ?é mais que um holocausto?

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