Abbas volta a Gaza para negociar Governo de unidade com o Hamas

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, voltará neste domingo a Gaza, em uma atmosfera de ceticismo, para uma nova rodada de negociações com oprimeiro-ministro, Ismail Haniyeh, na tentativa de formar um Governo de união nacional.Até o momento, todos os contatos fracassaram por divergências entre os dois líderes, Abbas, do movimento nacionalista Fatah, e Haniyeh, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) deve chegar esta tarde em Gaza, após se reunir na sede da ANP, na cidade cisjordaniana de Ramala, com o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, que na noite de sábado se encontrou em Jerusalém com seucolega israelense, Ehud Olmert.Em meios políticos acredita-se que Blair servirá de "ponte" entre Olmert e Abbas para que ambos se reúnam em breve a fim de impulsionar o estagnado processo de paz entre seus respectivos povos, segundo o plano conhecido como "Mapa de Caminho", proposto hátrês anos por Estados Unidos, União Européia (UE), Rússia e ONU, o chamado Quarteto de Madri.O reconhecimento do Estado israelense é um dos fatores de dissidência entre Abbas e o primeiro-ministro Haniyeh, cujo Governo, formado em grande maioria por representantes da organização fundamentalista Hamas, se encontra isolado e impossibilitado há seismeses de pagar os salários de cerca de 170 mil funcionários públicos.O ministro de Exteriores de Haniyeh, Mahmoud Zahar, reiterou no sábado, em Gaza, que o Hamas não reconhecerá Israel os acordos de Oslo (1993), e os que lhe seguiram com vistas à criação de um estado palestino a seu lado.O deputado Eisa Qaraqe, do Fatah, na oposição, afirmou em Ramala que os legisladores de seu movimento estão contemplando a possibilidade de derrubar o Governo por meio de um voto de censura.O motivo disso é que "a situação caminha em direção a um desastre no meio das greves e da falta de um horizonte para resolver a crise" nos territórios palestinos, disse Qaraqe em referência à greve de professores e empregados públicos que cobram seus salários.Na opinião do legislador do Fatah, apenas uma coalizão de Governo com a participação de todos os partidos palestinos permitirá "impedir o desastre e superar a crise".O Fatah, histórico movimento do falecido presidente Yasser Arafat, diz aos jornalistas que o presidente Abbas está facultado, por lei, a dispersar o Governo de Haniyeh.O Hamas rejeita até o momento três condições impostas pelo Quarteto de Madri para reconhecê-lo e restabelecer suas transferências financeiras, interrompidas em março deste ano.As mencionadas três condições são que o Hamas desarme a sua milícia, as Brigadas de Ezzedine al-Qassam; que reconheça Israel a fim de poder negociar a paz, e que respeite os acordos subscritos desde 1993 pela ANP com o Estado judeu.Estas são também as exigências de Abbas, que está interessado em reunir-se com Olmert para impulsionar o processo de paz segundo o plano do Quarteto de Madri.

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