Jorge Adorno/ Reuters
Jorge Adorno/ Reuters

Abdo Benítez vai depor neste domingo sobre acordo de Itaipu com o Brasil

O presidente do Paraguai será ouvido pelo Ministério Público sobre acordo para compra da energia produzida pela hidrelétrica binacional

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2019 | 01h43

ASSUNÇÃO - O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, prestará depoimento ao Ministério Público neste domingo, 11, sobre acordo com o Brasil para compra da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu. Em comunicado divulgado no sábado, o MP informou que ele será ouvido pelos promotores Marcelo Pecci, Susy Riquelme e Liliana Alcaraz. Segundo o documento, um relatório detalhado sobre o acordo também foi solicitado ao governo do Paraguai.

Abdo Benítez e o vice-presidente do país, Hugo Velázquez, também investigado no caso, foram convocados formalmente a prestar depoimento na sexta-feira. No mesmo dia, o presidente disse que estava à disposição para colaborar com o Ministério Público.

Até o momento, os promotores já ouviram o ex-presidente da Administração Nacional de Energia (ANDE), Pedro Ferreira e o advogado José Rodríguez González, considerado um assessor informal de Velázquez. Ele teria influenciado as negociações do acordo por ordem do vice-presidente.

A renúncia de Ferreira abriu a maior crise política do governo de Abdo Benítez, que assumiu a presidência há cerca de um ano. O governo do Paraguai tentou controlar a crise com várias renúncias de importantes figuras envolvidas nas negociações, entre elas a do ex-ministro das Relações Exteriores Luis Alberto Castiglioni.

Apesar disso, a crise ganhou envergadura após a imprensa paraguaia revelar supostas mensagens entre Rodríguez González e Pedro Ferreira. Nos diálogos, o advogado teria se apresentado como assessor de Velázquez e tentado excluir do acordo um ponto que autorizaria a ANDE a negociar a energia excedente de Itaipu.

Acuado, Abdo Benítez negociou com o Brasil a revogação do acordo. A suspensão do pacto deu sobrevida ao presidente, pois fez com que uma dissidência do Partido Colorado, liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes, mudasse de ideia sobre o impeachment. /EFE

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