Abdullah e Chirac pedem que povo palestino não seja punido

O presidente da França, Jacques Chirac, e o rei Abdullah II, da Jordânia, afirmaram nesta segunda-feira que o povo palestino não deve ser punido agora que o movimento islâmico Hamas apresentou a composição do futuro Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Em entrevista coletiva no Palácio do Eliseu juntamente com o monarca jordaniano, que fazia uma visita oficial de dois dias à França, Chirac disse que "não se deve sancionar economicamente o povo palestino" e propôs que a ajuda européia seja distribuída "sob o aval" do presidente da ANP, Mahmoud Abbas. Chirac reafirmou as condições da União Européia (UE) para cooperar com o futuro Governo palestino: que o Hamas renuncie à violência e reconheça o Estado de Israel e os acordos internacionais firmados entre israelenses e palestinos. O presidente francês defendeu que, com Abbas, podem ser encontradas as melhores soluções para que a ajuda continue. O Hamas, vencedor das eleições parlamentares de 25 de janeiro e presente na lista européia de organizações terroristas, apresentou no domingo a Abbas a lista dos membros do futuro Governo palestino. Além disso, Israel já disse reiteradamente que não negociará com um Governo "terrorista". Preocupado com a situação, Chirac manifestou sua esperança de que "prevaleça a sensatez" e o processo de paz. Já Abdullah II afirmou que a comunidade internacional é responsável por garantir a criação de um Estado palestino viável e independente. O monarca jordaniano destacou que "todas as partes devem assumir sua responsabilidade de criar um ambiente propício para uma regra pacífica que leve à realização" dos planos do Quarteto (EUA, UE, ONU e Rússia), ou seja, dois Estados seguros e viáveis que vivam em paz um com o outro. Abdullah II indicou que o Quarteto deve fazer o processo de paz avançar, mas que agora a situação é de compasso de espera. No dia 28, serão realizadas eleições em Israel. Em entrevista ao jornal Le Monde, Abdullah II acrescentou que, se em dois anos não for criado um Estado palestino independente e viável, ninguém sabe quais poderão ser as conseqüências para a região e para a Jordânia. "Os israelenses se enganam se pensam que podem se eximir do problema palestino e enviá-lo à Jordânia", alertou. Chirac e Abdullah II também conversaram sobre a situação no Iraque, Líbano e Síria, assim como sobre o contencioso nuclear Iraniano. Sobre o Iraque, que é motivo de "enorme preocupação", o monarca jordaniano lembrou que, para apoiar a construção de um país "unido, independente e democrático", a Jordânia planeja receber uma conferência de líderes religiosos iraquianos nos dois próximos meses.

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 18h20

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