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Abdullah modernizou Arábia Saudita, mas manteve leis restritivas

Entre outras medidas polêmicas mantidas pelo monarca, perduram as que proíbem mulheres de dirigir e a pena de morte

O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2015 | 22h59

O rei Abdullah Abdulaziz al-Saud era o 13.º dos 37 filhos do rei Abdul Aziz al-Saud, que criou o Estado moderno da Arábia Saudita, e foi escolhido como príncipe herdeiro em 1982 pelo rei Fahd, que também o nomeou primeiro vice-primeiro-ministro.

Abdullah se tornou líder de facto do país em 1995 quando um derrame incapacitou o Rei Fahd. Apesar da aliança estratégica com os EUA, acredita-se que Abdullah se incomodava com a proximidade dos dois países e, desde antes de assumir o trono, pressionava Washington para retirar as tropas estacionadas no reino desde a Guerra do Golfo -- o que só ocorreu em 2003.


No mês seguinte ao ataque terrorista de 11 de Setembro, o monarca precisou rever sua aliança com os americanos em razão da avalanche de críticas recebidas pelo país, origem de 15 dos 19 envolvidos nas ações arquitetadas por Osama bin Laden, fundador da Al-Qaeda, cuja ideologia extremista é apontada por muitos como uma interpretação do Wahabismo saudita.

Em 2005, quando o rei Fahd morreu, Abdullah assumiu oficialmente o trono saudita e começou a implementar sua visão de modernização do reino que incluía, entre outras coisas, a criação de uma universidade nos moldes ocidentais, com homens e mulheres estudando nas mesmas salas e a inclusão das mulheres nas esferas de poder. Ao mesmo tempo, porém, o líder manteve a lei que proíbe mulheres de dirigirem, entre outras medidas que limitam seus direitos.

A maior parte das reformas foram abandonadas após a Primavera Árabe, em 2011, quando o governo saudita apertou o cerco contra qualquer tipo de dissidência e a polícia antidistúrbio reprimiu protestos da minoria xiita do país. Muitos ativistas foram presos e condenados com base em novas leis antiterrosimo criadas pelo rei Abdullah, que também ordenou uma vigilância maior de sites e redes sociais.

Além disso, o reino ainda mantém a pena de morte para crimes como estupro, assassinato, apostasia, roubo a mão armada e tráfico de drogas. Neste ano, já foram executadas 19 pessoas, ante 87 condenados em 2014 e 78, em 2013, segundo balanço da AFP.

Preocupado com a influência e o programa nuclear iraniano, Abdullah chegou a sugerir em 2008 que os EUA considerassem uma ação militar contra Teerã. Na esfera regional, o rei apoiou os sunitas do Líbano contra o grupo xiita Hezbollah. Na Síria, o monarca atuou indiretamente, fornecendo armas para os rebeldes que combatem o presidente Bashar Assad - e é apoiado pelo Irã.

Abdullah deixa mais de 30 filhos dos relacionamentos com as mais de uma dúzia de mulheres. / AP, REUTERS e AFP

 

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