Abdullah rejeita resultado preliminar de eleição afegã

Candidato presidencial afirmou que pleito foi fraudulento, anunciou ser o vencedor e disse que vai iniciar formação de novo governo

O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2014 | 10h27

CABUL - O candidato presidencial Abdullah Abdullah anunciou ser o vencedor da eleição no Afeganistão nesta terça-feira, 8, rejeitando a vitória de seu oponente Ashraf Gani, e acusou o presidente Hamid Karzai e a Comissão Eleitoral do país (IEC) de fraude.

"Somos os vencedores da eleição e devemos formar um governo legítimo", afirmou Abdullah em reunião na Loya Jirga - assembleia tradicional - de Cabul, um dia depois dos resultados preliminares terem apontado a vitória de Gani. Segundo a IEC, Gani recebeu 56,44% dos votos e Adullah, 43,56%.

Os resultados finais serão anunciados somente no dia 22. De acordo com a IEC, a cerimônia de posse do novo presidente está prevista para ocorrer no dia 2 de agosto.

Abdullah afirmou que nos próximos dias anunciará seu governo a pedido "de seus eleitores" e poderia levar as pessoas às ruas para protestar contra o que chamou de "fraude em escala industrial". "Pedi que os votos fraudulentos fossem invalidados antes do anúncio e meu pedido foi vergonhosamente rejeitado."

O candidato disse ter mantido contato com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e com o secretário de Estado americano, John Kerry, que, segundo ele, viajará para Cabul na sexta-feira.

Kerry advertiu ontem, em um comunicado, que Washington cancelaria a ajuda financeira ao Afeganistão caso houvesse irregularidades nas eleições presidenciais. "Qualquer ação para assumir o poder por métodos não legais custará ao Afeganistão o apoio financeiro e de segurança dos EUA e da comunidade internacional."

Karzai deixará o poder após 13 anos na presidência porque a Constituição afegã proíbe o terceiro mandato então ele não pode se candidatar na eleição deste ano. O processo eleitoral se desenvolve em um dos momentos mais violentos desde a invasão dos Estados Unidos, que propiciou a queda do regime taleban em 2001.

A força da Otan (Isaf) concluirá sua missão no Afeganistão no final deste ano, mas os EUA anunciaram a permanência de 9,8 mil soldados no país até o final de 2016, quando será realizada a retirada definitiva das tropas. /EFE

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