Abe diz que Japão e China devem evitar erros de alemães e britânicos na 1ª Guerra

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse que seu país e a China devem evitar a repetição dos erros cometidos no passado por Grã-Bretanha e Alemanha, que lutaram um contra o outro na Primeira Guerra Mundial apesar dos profundos laços econômicos, de acordo com o porta-voz do governo japonês em Tóquio.

KIYOSHI TAKENAKA, Reuters

23 de janeiro de 2014 | 09h59

Abe fez as declarações em conversas durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira.

Os comentários de Abe foram transmitidos por Yoshihide Suga, secretário de gabinete, depois de o jornal Financial Times ter dito que Abe afirmara a jornalistas que a China e o Japão estão em "situação similar" à Alemanha e Grã-Bretanha antes de 1914, quando os laços econômicos entre os dois não evitou o conflito.

Ele também disse que o aumento do gasto militar chinês é uma importante fonte de instabilidade regional, segundo o jornal.

Suga afirmou que as declarações de Abe não deveriam ser de jeito nenhum interpretadas como uma indicação de que uma guerra entre os dois gigantes asiáticos era possível. Ele afirmou que Abe defendeu o diálogo e a institucionalidade, e não força militar e ameaças, como necessários para a paz e a prosperidade no continente.

As relações entre China e Japão, há muito prejudicadas pelo que Pequim vê como a falta de reparação japonesa pela ocupação de parte do território chinês nas décadas de 1930 e 1940, pioraram recentemente por conta de uma disputa territorial, da desconfiança de Tóquio em relação aos investimentos militares chineses e da visita de Abe em dezembro a um templo que, segundo críticos, celebra o passado de guerra japonês.

Suga disse em entrevista a jornalistas que Abe, notando que este é o ano do centésimo aniversário do início da Primeira Guerra, afirmou que Grã-Bretanha e Alemanha entraram em conflito apesar dos laços econômicos.

Perguntado se a China e o Japão poderiam se enfrentar militarmente, Abe respondeu que tal conflito "seria uma grande perda não só para o Japão e a China, mas para o mundo, e nós precisamos assegurar que isso não aconteça", de acordo com Suga.

A China e o Japão, a segunda e a terceira maiores economias do mundo, respectivamente, mantêm relações econômicas e comerciais no valor de quase 334 bilhões de dólares, segundo dados japoneses.

A China criticou a referência histórica feita por Abe. "Seria melhor encarar o que o Japão fez com a China antes da guerra e na história recente do que falar coisas sobre as relações entre britânicos e alemães no período anterior à Primeira Guerra", afirmou Qin Gang, porta-voz do Ministério do Exterior, à imprensa em Pequim.

(Reportagem de Kiyoshi Takenaka e Elaine Lies; reportagem adicional por Megha Rajagopalan e Ben Blanchard, em Pequim)

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