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Com visita de Abe a Teerã, Japão tenta aproximar Irã e EUA

Para empresários japoneses, o conflito entre Irã e EUA é pesadelo; sob pressão americana, o Japão teve de parar de importar petróleo iraniano

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2019 | 16h14
Atualizado 13 de junho de 2019 | 11h08

TEERÃ - O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, chegou nesta quarta-feira, 12, a Teerã com a difícil tarefa de aparar as arestas entre EUA e Irã. Com o apoio do presidente americano, Donald Trump, a visita de Abe é a primeira de um chefe de governo do Japão ao Irã desde a Revolução Islâmica, de 1979. 

O Japão é um aliado-chave dos EUA, rival do Irã. Ao mesmo tempo, Tóquio mantém uma boa relação com o governo iraniano. Na entrevista coletiva de hoje, após o encontro entre Abe e o presidente iraniano, Hassan Rohani, o japonês disse ter pedido ao Irã que exerça um papel construtivo para a paz no Oriente Médio

O presidente iraniano, por sua vez, afirmou que o primeiro-ministro japonês manifestou interesse em continuar comprando petróleo iraniano, ainda que sob sanções americanas. 

Para empresários japoneses, o conflito entre Irã e EUA é um pesadelo. Sob pressão americana, o Japão teve de parar de importar petróleo do Irã, um país com o qual tem uma longa história de relações amigáveis. 

O Japão, o quarto maior consumidor de petróleo do mundo, comprava do Irã cerca de 5% de suas necessidades de petróleo bruto. Em maio, o presidente da Associação de Petróleo do Japão, Takashi Tsukioka, disse que importar do Irã era importante não apenas pela diversificação das fontes desse recurso, mas também pelo preço vantajoso. 

O Japão deixou de comprar petróleo do Irã em março, antes de expirar, em maio, a exceção às sanções americanadas dadas por Trump a oito países que importavam de Teerã – além do Japão, China, Índia, Coreia do Sul, Itália, Grécia, Taiwan e Turquia tiveram um prazo maior para interromper as importações. 

“Abe pode ser um ótimo mediador para facilitar a suspensão das sanções ao petróleo. O Japão sempre respeitou o Irã e Abe pode desempenhar um papel muito construtivo para acalmar a tensão atual, que prejudica o Oriente Médio”, disse uma autoridade iraniana, que pediu para não ser identificada.

Rompimento

Em maio de 2018, Trump retirou os EUA do acordo sobre o programa nuclear iraniano, firmado em 2015, o que provocou a reinstalação das sanções econômicas ao Irã. Washington também reforçou a presença militar no Golfo Pérsico e pressionou países aliados, como o Japão, a interromperem a compra de petróleo iraniano.

O porta-voz do governo japonês informou ontem que Abe conversou com Trump por telefone na terça-feira. Uma das questões abordadas foi a situação no Irã. O Japão é bem-visto por Teerã, uma vez que conseguiu se modernizar sem renunciar a suas tradições, conservando uma forte identidade cultural. / NYT, W. POST, REUTERS e AFP 

 

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