Abe sofre dura derrota nas urnas

Projeções indicam que o primeiro-ministro e seu bloco de coalizão devem perder a maioria no Senado

Reuters, Tóquio, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2030 | 00h00

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e seu bloco conservador foram os maiores derrotados nas eleições para a Câmara Alta (Senado) realizadas ontem. Contudo o premiê afirma que não pretende abrir mão do cargo - a renúncia não se faz necessária porque Abe tem folgada maioria na Câmara Baixa (dos deputados), casa responsável por eleger os premiês, segundo a legislação japonesa.De acordo com a NHK, rede estatal de TV, projeções de votos apontam que o Partido Liberal Democrático (PLD), de Abe, e seu parceiro de coalizão, o Partido Novo Komeito, devem conquistar apenas 46 cadeiras (antes tinham 76), aquém das 64 necessárias para conservar a maioria. Ao todo, o Senado tem 242 assentos e, na eleição de ontem, os candidatos concorreram a 121 deles (metade das vagas).Abe, de 52 anos, fez um mea-culpa pela derrota: "Precisamos restaurar a confiança da população no país e no governo." Mas se disse firme no propósito de levar seu mandato adiante, ainda que reconhecendo a gravidade política de sua situação. Os especialistas locais já previam o resultado. Ele reflete o descontentamento dos japoneses com uma série de escândalos no governo e particularmente com problemas envolvendo a Previdência Social. O primeiro-ministro foi eleito há apenas dez meses.O PLD e o Novo Komeito agora terão mais dificuldade de aprovar leis, já que o principal vitorioso no pleito de ontem foi o Partido Democrático (PD), de oposição, que deve ficar com 60 assentos. "Temos que debater com o PD no Senado, e ouvi-los quando necessário", declarou Abe.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.