Abe viaja para a primeira cúpula com a China desde 2002

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, chegará neste domingo à China para o primeiro encontro de alto nível entre os dois países desde 2002.A viagem, marcada repentinamente por Abe, logo após assumir o cargo, foi imediatamente aceita pela China. "Um acordo permitiu superar os obstáculos políticos nas relações bilaterais", segundo um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, que não revelou detalhes.Às vésperas da chegada de Abe à capital chinesa, o Conselho de Segurança da ONU determinou que a Coréia do Norte abandone sua intenção de realizar um teste nuclear. Segundo fontes japonesas, a explosão controlada pode acontecer amanhã, aniversário da nomeação do líder norte-coreano Kim Jong-Il.Além de iniciar o degelo das relações bilaterais, Abe e os líderes chineses discutirão amanhã uma forma de retomar as conversas sobre o programa nuclear norte-coreano, atualmente bloqueadas.O Japão é o país que se considera mais ameaçado por uma Coréia do Norte com armas nucleares. A China, por sua vez, é o único aliado norte-coreano na região. Sua ajuda permite a sobrevivência do regime comunista, isolado internacionalmente.Desde seu primeiro discurso político, o primeiro-ministro japonês estendeu a mão a seus vizinhos. Apesar de suas propostas de acelerar a revisão da Constituição pacifista para fazer do Japão "um país como os outros", com uma força militar eficaz, ele também tem falado de "uma diplomacia mais ativa" na região.A visita de Abe a Pequim é um passo de gigante rumo ao degelo. As relações entre os dois países foram prejudicadas pelas repetidas visitas do ex-primeiro-ministro, Junichiro Koizumi, ao santuário de Yasukuni, que honra a memória dos japoneses mortos em combate, entre eles 14 criminosos de guerra. As visitas de Koizumi ao templo também dificultaram as relações com a Coréia do Sul, próximo destino de Abe, dia 9 de outubro, imediatamente após deixar a China.As perspectivas são de que a reunião do primeiro-ministro do Japão com os líderes chineses inicie o fim "da guerra fria" entre as maiores potências da Ásia, segundo os analistas.No norte da Ásia, ao contrário do que aconteceu na Europa, o ressentimento pela guerra tem impedido até hoje alianças econômicas, políticas e estratégicas entre os ex-inimigos. Mas há fortes pressões dos setores econômicos japoneses, já que a China é o maior parceiro comercial do Japão.Com a mudança de primeiro-ministro no Japão, os contatos diplomáticos devem começar a refletir o rápido crescimento dos intercâmbios comerciais.Em Pequim, ninguém duvida que Abe, membro do nacionalista partido de direita LDP e visitante habitual de Yasukuni, manterá a tradição de seu antecessor. Mas nem ele nem os líderes chineses quiseram falar do assunto antes da viagem. O santuário só deverá ser discutido a portas fechadas.Espera-se um compromisso de "baixar o tom". Frases como "ele deveria olhar-se no espelho da história", freqüentes em Pequim para falar de Koizumi, seriam abandonadas. A mudança em Tóquio é vista como bom motivo para melhorar as relações bilaterais. E, além disso, tentar encontrar uma solução para o problema nuclear norte-coreano.

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