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Abin confirma ameaça do EI ao Brasil e amplia monitoramento de suspeitos

Diretor de Contraterrorismo da Agência Brasileira de Inteligência diz que tuíte publicado em novembro por membro do grupo extremista ameaçando Brasil é real; lobos solitários são principal ameaça

O Estado de S. Paulo

14 Abril 2016 | 15h33

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) confirmou uma ameaça ao Brasil publicada em novembro em conta no Twitter vinculada a um membro do Estado Islâmico (EI) e intensificou o monitoramento de indivíduos que teriam jurado lealdade ao grupo extremista e poderiam agir dentro do País.

"Brasil, vocês são nosso próximo alvo", diz o tuíte enviado para o microblog dias depois dos ataques terroristas em Paris - nos quais 130 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas - através da conta utilizada por Maxime Hauchard, um francês que foi para a Síria em 2013 e juntou-se às fileiras do EI. A conta de Maxime foi suspensa pelo Twitter.

"A probabilidade de o país ser alvo de ataques terroristas foi elevada nos últimos meses, devido aos recentes eventos terroristas ocorridos em outros países e ao aumento do número de adesões de nacionais brasileiros à ideologia do Estado Islâmico", disse a Abin em nota enviada ao Estado.

Na quarta-feira, o diretor de Contraterrorismo da Abin, Luiz Alberto Sallaberry, participou no Rio de Janeiro da Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa (LAAD Security). Em sua apresentação sobre ameaças terroristas aos Jogos Olímpicos Rio 2016 ele descreveu Hauchard como "espécie de garoto-propaganda do Estado Islâmico".

Sallaberry também listou ações executadas pela agência para evitar possíveis ataques no País, "como intercâmbio de informações com serviços estrangeiros, capacitação de profissionais de setores estratégicos e trabalhos com órgãos integrantes do Sistema Brasileiro de Inteligência".

Lobos solitários. O diretor da Abin também afirmou que tem aumentado no Brasil a quantidade de pessoas que juram lealdade ao EI e estariam prontas para agir em nome do islã. "Quando uma pessoa faz o juramento ao califado e se torna autoproclamada ela está disposta a cometer qualquer atentado violento em nome do grupo. A ordem não precisa ser presencial, pode ser via internet", disse Sallaberry, de acordo com reportagem publicada pelo jornal "O Dia".

Sallaberry apresentou exemplos de materiais usados pelos indivíduos que juraram lealdade ao EI no Brasil, como bandeiras com inscrições em árabe e adornadas com o símbolo do grupo terrorista. "Posso dizer que são de origem salafista sunita, comunidade que está ligada ao EI. Não estou dizendo que vai acontecer um atentado. Estou dizendo que é a primeira vez que a probabilidade aumentou sobremaneira no nosso país."

Em novembro, ele havia alertado que as autoridades brasileiras consideram os chamados lobos solitários - que agem inspirados ou sob direção de algum grupo radical, mas sem a necessidade de uma célula terrorista ou outra organização formal - "a principal ameaça aos Jogos Olímpicos" que serão realizados no Rio em agosto.

Questionado sobre o caso, o Ministério da Defesa declarou, em e-mail enviado ao Estado, que não comenta as ações dos serviços de inteligência de suas instituições de prevenção de combate ao terrorismo. A pasta reafirma que tem adotado “todas as medidas exigidas para proteger os interesses nacionais contra riscos ou ameaças de práticas terroristas”. 

Espetáculo. Para o especialista em segurança e diretor do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp, Héctor Luis Saint-Pierre, a preocupação da Abin é justificável e plausível, especialmente em se tratando de um evento de tamanha atenção internacional. Segundo ele, desde a última Copa, a questão tem se tornado crucial. “Trata-se de um espetáculo (Olimpíada), com cobertura da imprensa internacional. Ele (grupo) produz seu terror quando ele pode ser divulgado. Aquele que morre é a vítima tática. Mas a que fica, e assiste, é a vítima estratégica”, afirmou, em entrevista ao Estado

De acordo com o especialista, é preciso, nesse momento que os órgãos brasileiros estejam em estreito contato com as agências e polícias europeias para a troca de informações e identificação de possíveis células adormecidas no Brasil. 

O professor, que já foi consultor do Conselho de Defesa da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), diz que não se deve descartar a possibilidade de que simpatizantes ou membros do EI possam ter entrado no Brasil por alguma fronteira terrestre, como Paraguai ou Uruguai. / COLABOROU MURILO RODRIGUES ALVES e RENATA TRANCHES

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