Abin e PF temiam ameaça real do terror

Telegramas revelam que, por trás do discurso apaziguador do governo, órgãos de inteligência temiam ações violentas

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

GENEBRA

Pelo menos seis telegramas do Departamento de Estado americano publicados pelo WikiLeaks mostram que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal (PF) consideram que a ameaça terrorista no Brasil é real.

Os telegramas oficiais, porém, mostram o esforço do Itamaraty para minimizar a existência do problema, minar projetos políticos e até criticar a Argentina por considerar a tríplice fronteira como um local de atividades terroristas.

Os telegramas, enviados da Embaixada dos EUA em Brasília para informar Washington sobre os acontecimentos no País, revelam como a alta esfera do governo teria feito de tudo para reduzir a visibilidade de algumas das operações. A meta seria a de não estigmatizar a população árabe no País e não afetar a imagem do Brasil no exterior.

Longe da retórica, entretanto, os documentos ainda revelam que algumas autoridades acreditavam que o fato de o Brasil ter sido escolhido como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 faria do País um alvo mais atrativo para ataques terroristas.

"Há dois discursos separados no governo brasileiro: politicamente, o Brasil continua a negar a presença e as ameaças de terroristas no Brasil. Já as forças da ordem e inteligência monitoram e cooperam para conter a ameaça", diz um dos telegramas.

"Apesar da retórica negativa do Itamaraty e dos mais altos níveis do governo brasileiro, as forças da ordem no Brasil e as agências de inteligência - principalmente a PF e a Abin - estão cientes do potencial risco de terroristas explorando as condições favoráveis existentes no Brasil para operar", afirmou um dos telegramas.

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