Abkházia pede que Rússia reconheça independência

Estados Unidos reafirmam que províncias separatistas pró-Moscou pertecem à Geórgia

Agências internacionais,

20 de agosto de 2008 | 13h37

O Parlamento da Abkházia pediu para que a Rússia reconheça formalmente sua independência. O apelo, divulgado nesta quarta-feira, 20, por agências de notícias russas, ocorre após a expulsão, na semana passada, de forças georgianas de uma pequena porção da região separatista que ainda era controlada por Tbilisi. As forças georgianas foram afastadas ao mesmo tempo em que a Rússia e a Geórgia combatiam por outra região separatista, a Ossétia do Sul.   Rússia planeja construir zona de segurança na Ossétia do Sul Cruz Vermelha manda equipe para Ossétia do Sul Rússia desqualifica Otan; retirada acaba na 6.ª Geórgia e Rússia fazem 1ª troca de prisioneiros Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Moscou demonstra forte apoio às duas regiões separatistas desde o início da década passada, quando a Ossétia do Sul e a Abkházia romperam com a Geórgia e declararam independência. Na semana passada, o presidente russo, Dmitry Medvedev, observou que nenhuma delas parecia disposta a aceitar voltar a ser parte da Geórgia. O comunicado de Medvedev foi visto como um apoio tácito à independência das duas repúblicas, ou à união delas ao território russo.   Os parlamentares da província separatista aprovaram o pedido do presidente Sergei Bagapsh, segundo a Interfax. Bagapsh pediu ainda pela amizade e a assistência russa, como a manutenção de tropas de paz na região. "Proponho que a Federação Russa reconheça a República da Abkházia como independente e soberana e estabeleça relações diplomáticas", disse o presidente.   Os parlamentares da província separatista aprovaram o pedido do presidente Sergei Bagapsh, segundo a Interfax. Bagapsh pediu ainda pela amizade e a assistência russa, como a manutenção de tropas de paz na região. "Proponho que a Federação Russa reconheça a República da Abkházia como independente e soberana e estabeleça relações diplomáticas", disse o presidente.   Casa Branca   Os Estados Unidos afirmaram nesta quarta que as forças russas começaram a se retirar da Geórgia, mas disse que o recuo não é significativo e tem que ser acelerado. Em discurso proferido na Flórida, o presidente George W. Bush reiterou sua condenação às ações militares da Rússia dos últimos dias e afirmou que as províncias da Ossétia do Sul e da Abkházia pertencem à Geórgia.   No avião presidencial a caminho de Orlando, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Gordon Johndroe, apoiou a condenação a Moscou, mas disse que há "sinais iniciais de alguma retirada" das tropas russas da Geórgia. Ele declarou que a retirada "não é significativa e tem que ser acelerada" e "quanto antes melhor". "Tanto o número (de tropas) como o ritmo da retirada deve ser aumentado e o mais rápido possível", afirmou Johndroe em suas declarações à imprensa.   As autoridades da Geórgia denunciaram que a Rússia, apesar de suas declarações de que retira suas tropas, está ampliando na prática as áreas de ocupação. As tropas de Moscou mantinham o controle da cidade de Gori, a 70 quilômetros de Tbilisi, capital georgiana, mas retiraram quatro postos de controle, informa a emissora Rustavi-2. A Rússia afirmou que acelerará a partir de sexta-feira a retirada de suas unidades militares enviadas ao território da Geórgia.   Johndroe reiterou que Moscou, que foi um aliado chave dos EUA na hora de tentar convencer o Irã e a Coréia do Norte da necessidade de abandonarem seus respectivos programas nucleares, está colocando em risco sua reputação na comunidade internacional com suas ações na Geórgia. "Quisemos que a Rússia faça parte de uma grande comunidade internacional. A Rússia está tomando uma decisão e esperamos que não seja uma decisão estratégica a longo prazo, mas a Rússia está tomando uma decisão que somente a isola", declarou o porta-voz.   Segundo Johndroe, Moscou já está sentindo as repercussões de sua incursão militar na Geórgia, em referência ao acordo que permitirá que os EUA posicionem seu escudo antimísseis na Polônia, um projeto que a Rússia chama de "ameaça direta". "Países do centro e do leste da Europa não querem voltar aos tempos que regiam antes", declarou. "Avaliam sua liberdade e não têm nenhum interesse em que seu vizinho os invada", concluiu.

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