Andres Kudacki/New York Times
Andres Kudacki/New York Times

Abordagem da Suécia contra o coronavírus preocupa países vizinhos

País europeu tem cinco vezes mais mortes que Dinamarca, Finlândia e Noruega juntas

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 11h00

Enquanto países escandinavos como Dinamarca, Finlândia e Noruega entraram em severos lockdowns, a Suécia adotou uma abordagem mais leve e agora tem quase o dobro de infecções e cinco vezes mais mortes que as outras três nações juntas, segundo dados compilados pelo The New York Times

Autoridades suecas, incluindo o responsável pelas medidas do país para impedir a propagação do coronavírus, Anders Tegnell, dizem que os suecos foram estigmatizados por uma campanha internacional para provar que a Suécia estava errada. Eles alertam, inclusive,  que os vizinhos estarão muito mais vulneráveis ​​se houver uma segunda onda do vírus. 

"Estamos realmente confiantes de que nossa imunidade é maior que a de qualquer outro país nórdico", disse Tegnell durante uma entrevista coletiva na semana passada. Ele acrescentou que, embora a Suécia não esteja se esforçando para obter a chamada imunidade de rebanho, o maior nível de imunidade "está contribuindo para um número menor de pacientes que necessitam de hospitalização, além de menos mortes por dia".

Tegnell também disse que as infecções na Suécia "atingiram o pico" e agora estão caindo. Especialistas de outros países escandinavos afirmam que os níveis mais altos de imunidade não foram comprovados por testes rigorosos e que essa conversa perde um ponto importante.

"Quando você vê 5 mil mortes na Suécia e 230 na Noruega, é incrível", disse Gro Harlem Brundtland, ex-primeiro ministro da Noruega e ex-diretor da Organização Mundial da Saúde, durante uma palestra digital na Academia Norueguesa de Ciências em maio. "Vai demorar muito para equilibrar essa diferença daqui a um ou dois anos."

A Suécia optou por uma política de recomendações para a população, apostando na responsabilidade individual. Aos poucos, restrições foram adotadas, como fechamento de universidades e proibição de visitas aos asilos. Aulas para crianças e adolescentes, no entanto, seguiram sendo realizadas, assim como restaurantes que continuaram abertos.

De todos os mortos no país, 90% são de 70 anos ou mais. A metade dos óbitos contabilizados no território aconteceu em instituição de acolhimentos de idosos. 

Noruega

Enquanto a Suécia tem uma abordagem mais suave, a Noruega mantém praticamente todas as fronteiras fechadas para enfrentar a pandemia. O reino nórdico conseguiu conter rapidamente a epidemia, mas agora se recusa a suspender ou, pelo menos, flexibilizar as severas restrições de viagens - o que faz da Noruega, possivelmente, o país mais fechado da Europa.

A entrada no território continua proibida à maioria dos não residentes. E as viagens ao exterior, embora não formalmente proibidas, estão submetidas a uma quarentena de 10 dias no retorno, uma norma em vigor até 20 de agosto. 

Como resultado, os noruegueses não passarão férias no Mediterrâneo este ano. Até a primeira-ministra Erna Solberg desistiu de sua habitual viagem de verão para a Espanha. 

A Noruega, que não faz parte da União Europeia mas integra o espaço Schengen de livre circulação de pessoas, reabriu as fronteiras apenas com Dinamarca, Finlândia e Islândia, três países que estão entre os poucos membros a manter importantes restrições à entrada de turistas do espaço Schengen. 

Muito afetado, o setor de turismo pressiona pela suspensão rápida das restrições com a Alemanha, responsável por quase 25% dos turistas estrangeiros no verão. Além disso, as viagens para e a partir da Suécia, onde a epidemia tem uma forte propagação, estão desaconselhadas. E isso para  frustração das 12 mil famílias norueguesas que têm no país vizinho uma segunda residência.

"Muitos chalés ficam isolados na floresta ou na costa. Não há praticamente ninguém e você fica muito mais seguro do que em Oslo, onde as praias estão lotadas", reclama Einar Rudaa, que criou um grupo de protesto no Facebook.  / The New York Times e AFP 

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