Paul Faith/AFP
Paul Faith/AFP

Aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo passam a ser legais na Irlanda do Norte

Sem Executivo regional desde 2017, os temas cotidianos do país são geridos em Londres

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2019 | 20h29

BELFAST - O aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo foram legalizados na Irlanda do Norte na noite desta segunda-feira, 21, (horário do Brasil e terça-feira na hora local) por decisão do Parlamento britânico, após superar uma última tentativa simbólica de oposição, lançada por deputados da Assembleia regional norte-irlandesa.

Sem Executivo regional desde 2017, os temas cotidianos da Irlanda do Norte são geridos em Londres. Em julho passado, os deputados britânicos aprovaram emendas para estender ao território norte-irlandês o direito ao aborto e ao casamento homossexual se não se formasse um governo até 21 de outubro. Com o fim do prazo, essas mudanças entrarão em vigor automaticamente.

As leis de aborto da Irlanda do Norte são algumas das mais restritivas do mundo - proibidas em quase todos os casos, exceto quando a vida da mulher está em risco. As mulheres podem ser presas não apenas por fazer um aborto no território, mas também por procurá-lo em outros locais. Os cuidadores também podem ser acusados criminalmente por dar conselhos sobre como obter um aborto. 

Gerações de mulheres da Irlanda do Norte viajaram para outro lugar para buscar um aborto seguro. Nos últimos tempos, elas passaram a comprar ilegalmente comprimidos pela internet para interromper a gravidez em casa, sem assistência médica.

A partir desta terça-feira, todas as acusações perderão a validade, incluindo um dos mais importantes no país contra um mãe que comprou pílulas abortivas para sua filha de 15 anos. 

Serviços gratuitos e legalizados de aborto passarão a estar disponíveis na Irlanda do Norte no início do próximo ano. Até lá, o Reino Unido vai arcar com as despesas de qualquer mulher que quiser viajar para realizar o procedimento. Apoio médico será oferecido nos casos de quem optar pela pílula abortiva. 

A nova legislação também abre caminho para casais de mesmo sexo se casarem a partir de fevereiro. Em uma entrevista coletiva em Belfast, Shane Sweeney, da ONG Love Equality, disse que já planeja o casamento com seu parceiro, Eoin McCabe. "Hoje significa muito para nós. Não teremos de reivindicar mais direitos, mas os mesmos direitos de qualquer um."/AFP e W. Post 

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