Miguel Schincariol/AFP
Miguel Schincariol/AFP

Aborto na Argentina legaliza morte de crianças com 'anuência do Estado', diz Bolsonaro

Presidente se manifestou sobre decisão do país vizinho nesta quarta-feira, 30, em seu Twitter

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2020 | 19h40

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quarta-feira, 30, a legalização do aborto na Argentina, afirmando que as "vidas das crianças argentinas" poderão, de agora em diante, ser "ceifadas" com "a anuência do Estado".

"Lamento profundamente pelas vidas das crianças argentinas, agora sujeitas a serem ceifadas no ventre de suas mães com anuência do Estado", escreveu no Twitter o presidente, que tem forte apoio das igrejas neopentecostais, fervorosamente contrárias à legalização do aborto.

“Enquanto depender de mim ou do meu governo, o aborto nunca será aprovado em nosso solo. Sempre lutaremos para proteger a vida dos inocentes”, acrescentou.

O Senado argentino aprovou na manhã de quarta-feira a legalização do aborto até a 14ª semana de gestação. O presidente de centro-esquerda Alberto Fernández saudou a decisão, afirmando que ela torna a Argentina "uma sociedade melhor que amplia os direitos das mulheres e garante a saúde pública".

No Brasil, o aborto só é permitido em caso de estupro, riscos para a mãe ou se o feto desenvolver anencefalia, uma malformação congênita do sistema nervoso. Em outras circunstâncias, a mulher pode ser condenada a três anos de prisão.

O Supremo Tribunal Federal realizou uma audiência pública sobre o assunto em agosto de 2018.

Na ocasião, María de Fátima, representante do então presidente Michel Temer no Ministério da Saúde, lembrou que, apesar da proibição, uma em cada cinco mulheres brasileiras faz aborto e que outras 250 mil são hospitalizadas a cada ano. /AFP

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