Absolvição de homem que matou jovem negro na Flórida causa indignação

Revolta. Críticos afirmam que George Zimmerman suspeitou de Trayvon Martin, de 17 anos, por causa de sua cor; Departamento de Justiça avalia se há evidências suficientes de racismo para levar o caso a um tribunal federal por violação dos direitos civis

FLÓRIDA, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2013 | 02h08

Julgado por um tribunal da Flórida, George Zimmerman foi absolvido das acusações criminais pela morte a tiro do adolescente negro desarmado Trayvon Martin, mas ainda enfrenta a indignação pública, uma possível ação civil e pedidos de uma investigação federal.

No sábado à noite, as seis juradas que deliberaram por 16 horas durante 2 dias consideraram Zimmerman inocente de assassinato em segundo grau e homicídio culposo, num caso que polarizou o público americano.

Os críticos afirmam que Zimmerman suspeitou equivocadamente que Martin, de 17 anos, era um marginal porque era negro, o que tornaria o caso uma questão de direitos civis. Mas os defensores da posse de armas, por sua vez, consideraram Zimmerman um herói perseguido que estava exercendo seu direito de portar armas, assegurado pela Segunda Emenda.

Os advogados de Zimmerman argumentaram que ele agiu em legítima defesa em 26 de fevereiro de 2012, quando ele e Martin se encontraram no interior de um condomínio fechado na cidade de Sanford, centro da Flórida. Eles acusam os defensores de direitos civis de estarem introduzindo indevidamente a questão da raça.

Em Sanford, Valerie Houston, a pastora da Igreja Allen Chapel A. M. E., dedicou o serviço matinal de domingo a Martin. "Estou ferida. Estou triste. Estou desapontada e meu coração está carregado de dores", disse Houston. "Eu acreditava do fundo do meu coração que a justiça seria feita." Líderes de direitos civis, entre os quais Jesse Jackson, Al Sharpton e Benjamin Jealous, presidente da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor, pediram ao Departamento de Justiça que leve adiante as acusações federais por violação de direitos civis contra Zimmerman.

O Departamento de Justiça informou ontem que avalia se há evidências suficientes para levar Zimmerman a um tribunal federal por violações dos estatutos dos direitos civis.

Jealous disse que a família de Martin poderá mover uma ação civil contra Zimmerman, mas acrescentou que as acusações criminais precisam ser feitas, pois as evidências sugerem que a questão racial pesou no caso. Ele disse à rede CNN que a comunidade negra está incomodada com uma situação em que "nossos jovens têm de temer os maus elementos e os bons elementos. Os ladrões e os policiais, e os autonomeados vigilantes voluntários de condomínios que pensam que estão deixando as pessoas mais seguras."

Sharpton, que chamou o veredicto de um "tapa na cara do povo americano", citou o exemplo de Rodney King, o homem cujo vídeo da agressão que sofreu por policiais de Los Angeles desencadeou motins, duas décadas atrás, após o julgamento criminal que inocentou os policiais. Mais tarde, o Departamento de Justiça montou um caso federal que resultou na condenação de dois agentes.

Zimmerman, de 29 anos, que é branco e hispânico e trabalhava como segurança de um condomínio particular, viu Martin de seu carro e, considerando-o suspeito, chamou a polícia. O adolescente, que estava hospedado no bairro na casa da noiva de seu pai, estava voltando de uma loja de conveniência onde havia comprado doces e um refrigerante.

Minutos depois, após Zimmerman sair de seu carro, os dois se engalfinharam numa briga que deixou Zimmerman com o nariz sangrando e ferimentos na cabeça. O incidente terminou quando Zimmerman baleou Martin no coração com uma pistola 9 mm. Os promotores alegaram que Zimmerman cometeu um crime ao perseguir e matar Martin e não agiu em legítima defesa. / REUTERS

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