Abstenção é baixa mesmo com frio e chuva de granizo

Israelenses foram votar em massa, apesar das previsões de que o clima ruim poderia inibi-los de sair de casa

Daniela Kresch, TEL-AVIV, O Estadao de S.Paulo

11 de fevereiro de 2009 | 00h00

Uma chuva de granizo pegou de surpresa os eleitores da sessão eleitoral de Petah Tikva, no subúrbio de Tel-Aviv, na tarde de ontem. Agasalhados e com guarda-chuvas nas mãos, 15 pessoas esperavam o tempo melhorar para voltar para casa. Outro grupo, que estava a caminho da sessão, montada numa escola, conseguiu abrigo sob um toldo do outro lado da rua. Assim que o céu abriu, porém, a movimentação aumentou, não só em Petah Tikva como em todo o país, contrariando as expectativas de que o clima poderia fazer os eleitores desistirem de ir às urnas. O comerciante Yehezkel Farj, de 53 anos, mal podia conter seu entusiasmo. "Só Bibi vai melhorar as coisas por aqui", afirmou, referindo-se ao candidato do partido conservador Likud, o ex-premiê Binyamin "Bibi" Netanyahu. "Sempre gostei dele, mesmo quando estava por baixo. As suas reformas econômicas foram fundamentais." Como titular do Ministério das Finanças, entre 2003 e 2005, Netanyahu reformou o setor bancário, recalculou as aposentadorias e reviu os subsídios para famílias pobres, mães solteiras e desempregados. As medidas, impopulares na época, parecem não afetar muito seus níveis de aprovação quatro anos depois. "Bibi também saberá lidar com nossos inimigos", completou Farj.A aposentada Mimi Nissana, de 78 anos, ficou em dúvida sobre em quem votar até o último momento. Só sabia que não queria votar em Bibi. "Ele teve sua chance e falhou", disse ao Estado. Mimi acabou votando na chanceler Tzipi Livni, do governista Kadima. "Quem sabe ela se revela uma boa líder, melhor do que Golda (Meir, premiê entre 1969 e 1974)", afirmou. "Tzipi é mais tolerante na política internacional sem deixar de zelar pela segurança nacional."Segurança também foi uma questão que influenciou bastante a decisão de três jovens de 18 anos, animados com a possibilidade de votar pela primeira vez. Religiosos, os amigos Haim Nadav, Ziv Levi e Dror Golan não tinham dúvidas quanto a quem escolher: o partido ultranacionalista "União Nacional", que defende a anexação da Cisjordânia a Israel. "O ideal seria que Bibi vencesse e fizesse coalizão com o União Nacional. Precisamos de um país forte e que saiba lidar com Hamas, Hezbollah e Irã", opinou Dror.SISTEMA DE VOTAÇÃOEm Israel, a votação não é eletrônica. Em cada uma das 9.263 urnas espalhadas pelo país, papeletas com letras simbolizando os 33 partidos estão a disposição do eleitor, que escolhe uma e a coloca no envelope depositado na urna. O fato de os eleitores não terem ficado em casa ontem não só surpreendeu os pesquisadores e analistas, mas também agradou os comerciantes de shopping centers em todo o país. O feriado eleitoral levou milhares de consumidores às compras, aumentando em 250% a movimentação no comércio.

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