Abuso contra crianças sudanesas ainda é grande, diz ONU

Segundo secretário-geral, nível da violência permanece alto", apesar de mostrar "pequenos sinais de melhora"

Associated Press,

14 de setembro de 2007 | 03h36

A situação das crianças no Sudão continua crítica, de acordo com a ONU. Elas continuam sendo recrutadas para lutar e sofrem amplamente com vários tipos de abusos, como assassinatos, seqüestros e violência sexual, especialmente em Darfur.   Em um relatório do Conselho de Segurança da ONU que circulou na quinta-feira, 13, o secretário-geral Ban Ki-moon disse "que o nível da violência contra crianças no Sudão permanece alto", apesar de estar mostrando "pequenos sinais de melhora".   Com 30 grupos armados operando no Sudão, Ban disse que há uma grande dificuldade em conseguir comprometimento das partes envolvidas. O relatório identifica as Forças Armadas Sudanesas e a polícia e mais alguns grupos que violaram os direitos das crianças durante o ano coberto (até junho de 2007).   No sul do Sudão, onde um tratado de paz foi assinado em 2005 colocando fim a 21 anos de guerra civil, o secretário-geral disse que "um significante progresso" foi realizado pelos rebeldes do Exército de Liberação do povo do Sudão (SPLA) em libertar crianças recrutadas durante o conflito. Mas Ban disse que a ONU confirmou a presença de crianças associadas com o SPLA no sul do Sudão, o mais novo com 9 anos e o mais velho com 16.   O secretário-geral disse que a Força de Defesa Pibor, um grupo anteriormente alinhado com as Forças Armadas Sudanesas, recrutaram pelo menos 78 crianças, o mais novo um menino de 6 anos, em um local desconhecido. Há muitas informações de que as forças do Major General Gabriel Tang Ginye, que são alinhadas as Forças Armadas Sudanesas, recrutaram 70 crianças durante as hostilidades em Malakal em novembro do ano passado.   Durante o ano coberto pelo relatório, Ban disse que oito crianças morreram no sul do Sudão direta ou indiretamente como resultado do conflito. Dez seqüestros foram confirmados e aos menos 40 outras crianças podem ter sido raptadas.   Em Darfur, citando "fontes críveis", Ban disse que as Forças Armadas Sudanesas e ao menos mais sete grupos rebeldes e de oposição estão recrutando e usando crianças. Enquanto as forças armadas negam, o secretário-geral disse que monitores da ONU e da União Africana afirmam ter visto elas sendo recrutadas e usadas. Algumas das crianças entrevistadas pelos monitores da ONU disseram que lutaram no sul de Darfur nos últimos três anos.   Em Darfur, 62 crianças foram assassinadas e o relatório informa que outras 110 podem ter sido mortas. "O estupro é comum e usado como arma de guerra, sendo as jovens meninas o principal alvo", disse Ban.   O relatório informa ainda que são 26 seqüestros confirmados e mais de 150 não confirmados. O secretário-geral criticou os ataques contra escolas e o difícil acesso dos trabalhadores humanitários aos locais onde são necessários. Ban pediu que as partes envolvidas no conflito "coloquem um fim as violações aos diretos das crianças".

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