Abusos em prisões no Iraque são conhecidos há meses

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e o mais antigo grupo de defesa dos direitos humanos do Iraque denunciaram em diversas ocasiões, às autoridades americanas, os maus-tratos impostos aos iraquianos detidos pelo Exército dos Estados Unidos. Denúncias foram feitas meses antes de o atual escândalo vir à tona, disseram em Bagdá funcionários de ambos os grupos. De acordo Nada Doumani, porta-voz regional do CICV, as autoridades americanas promoveram algumas mudanças depois que a Cruz Vermelha apontou para certas práticas na penitenciária de Abu Ghraib. Já a Organização pelos Direitos Humanos no Iraque passou meses sem conseguir marcar audiência com autoridades americanas para apresentar uma lista de queixas bem mais ampla, que incluía abusos na prisão e maus-tratos durante operações de busca em residências de habitantes locais, disse Adel al-Allami, um funcionário do grupo. Em janeiro, o Exército dos EUA iniciou uma investigação em Abu Ghraib, depois de os comandantes terem sido informados sobre abusos promovidos por seus subordinados. Al-Allami comentou que as denúncias de seu grupo às autoridades americanas foram ignoradas durante meses. "Nós sabíamos de diversas violações dos direitos humanos e enviamos diversos memorandos", afirmou.

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