Acaba motim em prisão da Venezuela

Após horas de negociações, o governo venezuelano conseguiu ontem pôr fim à rebelião de detentos no Presídio de La Planta, em Caracas. Ao menos dois civis morreram no tiroteio de quinta-feira na penitenciária. Ao longo do dia, o governo retirou 600 presos da cadeia, que enfrenta problemas de superlotação. Autoridades esperavam ainda concluir a remoção dos detentos amotinados até o fim da noite.

LUIZ RAATZ, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2012 | 03h08

A rebelião em La Planta durou 21 dias. Segundo o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, os detentos seriam revistados antes de partir para os centros de detenção de El Rodeo e Yare. A penitenciária de La Planta deve ser fechada.

Ainda de acordo com o chefe do Legislativo venezuelano, o presidente Hugo Chávez - que não aparece em público há uma semana e não envia mensagens aos venezuelanos por meio do Twitter desde domingo - está monitorando a crise.

"O comandante está em constante comunicação conosco", disse Cabello. "Ele nos liga a cada momento. Se alguém entende de direitos humanos, esse é o presidente. Está ligado na VTV (rede estatal) para vigiar a situação."

Cerca de 1,6 mil presos estavam entrincheirados em La Planta. Ao longo da rebelião, houve três tiroteios, em 30 de maio, 8 de abril e o de quinta-feira, o mais grave deles. O motim começou em 27 de abril, quando houve uma fuga do presídio. Antes de as negociações para o esvaziamento da cadeia terem sido concluídas, outros mil detentos já tinham sido transferidos da prisão.

A ministra de Assuntos Penitenciários, Iris Varella, disse ontem que o governo planeja desocupar os presídios localizados em áreas urbanas na Venezuela. Durante crise de La Planta, sete civis - três, segundo o governo - foram feridos por balas perdidas.

Superlotação. "Dei instruções para que os internos tenham acesso a todos os seus direitos e também para que seja garantida sua integridade física", afirmou a ministra à VTV. Para a advogada venezuelana Jaqueline Sandoval, diretora executiva da ONG Fundação para o Devido Processo, que monitora violações de direitos humanos no país, as causas da crise penitenciária são profundas.

As principais, de acordo com ela, são a superlotação carcerária e a lentidão do sistema judiciário venezuelano. O sistema prisional tem 33 presídios, com capacidade para 12 mil detentos, mas abriga 47 mil internos.

"Além disso, há um grande fluxo de armas e de drogas dentro das penitenciárias", afirmou Jaqueline ao Estado. "A estratégia do governo de transferir os presos apenas muda o problema de lugar."

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