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Acabou a chance de negociação na Síria?

Para derrotar o Estado Islâmico e demais grupos terroristas, será preciso ceder território aos rebeldes sunitas e curdos que lutam ao lado das tropas ocidentais

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2017 | 03h00

Depois do ataque dos Estados Unidos contra a Síria, a Rússia rompeu acordos de cooperação militar e deverá se afastar de negociações. Mas o ataque abre, paradoxalmente, uma oportunidade de solução política ao conflito que se arrasta há seis anos. Eis o recado de Donald Trump ao presidente russo, Vladimir Putin, e ao ditador sírio, Bashar Assad: não haverá vitória total. Se quiserem derrotar o Estado Islâmico (EI) e demais grupos terroristas, será preciso ceder território aos rebeldes sunitas e curdos que lutam ao lado das tropas ocidentais. O analista Michael O’Hanlon, da Brookings Institution, propõe para a Síria uma solução semelhante à que encerrou o conflito na Bósnia – dividir o território em áreas sob o comando das várias facções (exceto, óbvio, EI e terroristas) e criar zonas seguras, mantidas por forças internacionais. Um obstáculo é a Turquia, que combate separatistas e não quer ver o embrião de um Estado curdo em sua fronteira. Não seria, diz O’Hanlon, um obstáculo intransponível. A principal resistência vem, claro, de Putin e de Assad, que comanda a maior força militar no conflito. Desde quinta-feira, Trump passou a usar um novo argumento para convencê-los. Mais sangue poderá rolar até ele conseguir, mas todos sabem quem é o mais forte nessa briga.

‘Alt-right’ deixa Trump; ‘neocons’ aplaudem

Efeito-Síria: racistas e nacionalistas da “alt-right” retiraram o apoio dado a Donald Trump na campanha e no início do governo. Em contrapartida, ele foi aplaudido pela ala neoconservadora do Partido Republicano, pelos ex-adversários Marco Rubio e John McCain – e até por Hillary Clinton.

A vitória dos ‘globalistas’ na Casa Branca

O ataque à Síria, a desistência de impor tarifas de 45% às importações da China e de rotulá-la como manipulador cambial, a aceitação do arcabouço do Nafta, o apoio à expansão da Otan e a exclusão do ideólogo Steve Bannon do Conselho de Segurança Nacional demonstram quem está levando a melhor na Casa Branca: é a facção “globalista”, liderada pelo genro Jared Kushner, pelo assessor Gary Cohn e pelos generais H.R. McMaster e Jim Mattis – não a turma “nacionalista” de Bannon.

Entre Xi e vovô Trump, o mandarim de Arabella

Além de Síria, Coreia do Norte e da perspectiva de guerra comercial, Trump tinha um assunto familiar a discutir com o presidente chinês, Xi Jinping. Arabella, filha de Ivanka e Kushner, está aprendendo mandarim.

Gorsuch não é tão conservador assim

O novo juiz da Suprema Corte americana, Neil Gorsuch, pode surpreender quem espera dele um conservador ortodoxo. Entre 25 juízes da 10.ª Corte de Apelações analisados pelo FiveThirtyEight, ele foi o sétimo mais liberal em julgamentos ligados a imigração e discriminação no trabalho.

Republicanos só imitaram os democratas

Ao lançar mão da “opção nuclear” para aprovar Gorsuch, os republicanos repetiram a estratégia democrata. Para liberar nomeações do governo Obama em 2013, a então maioria eliminou das regras do Senado a possibilidade de usar a manobra de obstrução conhecida como “filibuster” em indicações ao Executivo e ao Judiciário, exceto à Suprema Corte. Na “filibuster”, só uma maioria de 60 votos pode encerrar os debates e convocar a votação.

James Stewart e o passado da ‘filibuster’

A origem da “filibuster” é a norma que dava a senadores o direito de falar quanto quisessem ao plenário – imortalizada por James Stewart no filme A Mulher Faz o Homem. Em 1917, os debates passaram a ser encerrados pelo voto de 67 senadores, maioria reduzida a 60 em 1975. Desde os anos 1970, a “filibuster” não exige mais que alguém fique, como Stewart, falando sem parar na tribuna. Até o voto de encerramento, o debate é considerado aberto, mas os senadores podem discutir outras pautas. Agora, a “filibuster” só poderá ser usada para obstruir projetos de lei.

O novo naufrágio de Damien Hirst

Quem curtiu o tubarão no formol, as bolinhas, as borboletas ou a caveira cravejada de brilhantes não pode perder a nova exposição do artista plástico Damien Hirst que estreia hoje em Veneza. Depois de dez anos em crise, Hirst volta ao mercado com esculturas de ícones salvos de naufrágios, cheias de zinabre, corais, algas e cracas – um Buda, um faraó, uma deusa da Mesopotâmia e até um Mickey Mouse. Em 2007, sua caveira foi vendida por US$ 100 milhões. Hoje, uma cabeça de medusa sai por US$ 4 milhões.

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