Academia entrega Nobel de Literatura a Vargas Llosa

O escritor peruano e colunista do Estado Mario Vargas Llosa recebeu ontem o Prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo, na Suécia. Durante a cerimônia, na sala de concertos da cidade, o novelista recebeu a medalha de ouro e o diploma da premiação das mãos do rei sueco, Carl Gustaf, que também entregou a ele uma peça metálica representando o valor de US$ 1,4 milhão, referente ao prêmio.

AFP e EFE,

11 de dezembro de 2010 | 05h08

"Caro Mario Vargas Llosa, você encapsulou a história da sociedade do século 20 em uma bolha de imaginação que se manteve flutuando pelo ar durante 50 anos e ainda reluz", disse durante a cerimônia o escritor sueco Per Wastberg, em espanhol. "A Academia Sueca o felicita."

"Da cidade de Arequipa, no Peru, emergiu um cidadão do mundo, um marxista que, por causa dos abusos de (Fidel) Castro se transformou em um liberal, um candidato perdedor das eleições presidenciais (no Peru) que figura agora nos selos de seu país", disse Wastberg.

O escritor sueco afirmou também que, em suas primeiras obras, Vargas Llosa "renovou a novela". "Agora é um poeta épico, não apenas de estatura latino-americana."

O membro da Academia Sueca elogiou ainda o talento de Vargas Llosa em "unir a tradução narrativa de (Honoré) Balzac e (Leon) Tostoi com os experimentos modernistas de William Faukner".

Como fez o ganhador do Nobel no discurso em que aceitou a premiação, Wastberg lembrou que um pai autoritário também o estimulou a refugiar-se no mundo da literatura. E lembrou de personagens rebeldes de Vargas Llosa, como Flora Tristán, da obra O paraíso na outra esquina.

Após receber o prêmio, Vargas Llosa saudou a família real sueca, os membros da academia e seus assistentes - entre eles estavam sua mulher, Patricia, e seus três filhos, Álvaro, Gonzalo e Morgana.

Há 20 anos o Nobel de Literatura não era dado para um escritor de língua espanhola. O último a ganhá-lo havia sido o mexicano Octavio Paz, em 1990. E, um ano antes, o espanhol Camilo José Cela.

Jantar de gala. Depois da cerimônia de entrega do Nobel, um banquete na Prefeitura de Estocolmo recebeu mais de 1,3 mil pessoas. E Vargas Llosa foi um dos ganhadores do prêmio encarregados de erguer um dos brindes de agradecimento programados para a festa.

 

 

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