Acadêmico palestino lecionou no Líbano durante guerra civil

Rashid Khalidi, um dos mais respeitados arabistas dos EUA, nunca teve laços formais com a OLP

Gustavo Chacra, BEIRUTE, O Estadao de S.Paulo

31 de outubro de 2008 | 00h00

O candidato do Partido Republicano, John McCain, tem usado a relação de amizade entre Barack Obama e o acadêmico palestino-americano Rashid Khalidi para atacar o democrata, ao afirmar que o professor da Universidade Colúmbia é um radical com ligações com o terrorismo. A vice de McCain, Sarah Palin, disse num comício anteontem que Khalidi foi "porta-voz da Organização de Libertação da Palestina (OLP)" nos anos 1970 e 80, quando o grupo dirigido pelo líder palestino Yasser Arafat era considerado terrorista pelos Estados Unidos.Na época, Khalidi era professor da Universidade Americana de Beirute, situada em uma área da capital libanesa que, durante a guerra civil, era controlada pela OLP. Certamente, o professor mantinha laços pessoais com membros da organização. Mas sempre foi um acadêmico.Obama admite a amizade com Khalidi e, como se diz abertamente pró-Israel, afirma que os dois têm pontos de vista diferentes.Khalidi é um dos maiores arabistas dos EUA. De uma das mais tradicionais famílias de Jerusalém, o acadêmico nasceu e foi criado no Upper West Side, em Nova York, e tem amigos judeus desde a infância. Com PhD pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, lecionou na Universidade de Chicago até 2003, quando foi convidado para assumir a cadeira Edward Said de Estudos Árabes e a direção do Instituto de Oriente Médio da Universidade Colúmbia, que, entre as dez melhores instituições universitárias americanas, é a que tem o maior número de alunos e ex-alunos judeus.Sua especialidade é a história palestina na transição do período otomano para o do mandato britânico, com grande enfoque na identidade dos palestinos.Em um de seus últimos livros, The Iron Cage ("Gaiola de Ferro", em tradução livre), sobre a história palestina, Khalidi aponta os erros e culpas dos palestinos no sua fracassada tentativa de conseguir um Estado - o livro é citado positivamente pelo ex-ministro das Relações Exteriores de Israel Shlomo Ben-Ami na última edição da revista Foreign Affairs.

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