Acadêmicos da China alertam sobre 'revolução violenta' sem reformas

Um grupo proeminente de acadêmicos da China alertou em uma carta aberta que o país corre o risco de uma "revolução violenta" se o governo não responder a pressão pública e permitir reformas políticas de longo prazo.

BEN BLANCHARD, Reuters

31 de dezembro de 2012 | 09h12

Os 73 acadêmicos, incluindo juristas conhecidos e aposentados de importantes universidades e advogados, disseram que a reforma política não ficou no mesmo ritmo que a rápida expansão econômica.

"Se as reformas no sistema necessárias para a sociedade chinesa continuarem sendo frustradas e estagnarem nosso progresso, então a corrupção oficial e a insatisfação da sociedade irá levar à beira de uma crise e a China irá novamente perder a oportunidade de reforma pacífica, e cair na turbulência e caos de uma revolução violenta", disseram eles na carta.

A carta começou a circular na internet no início deste mês, mas as referências online a ela na mídia chinesa foram retiradas.

O governo, que desde 1949 é controlado pelo Partido Comunista, precisa levar a democracia e independência do judiciário assim como aprofundar as reformas de mercado, disse a carta.

Cerca de 65 acadêmicos chineses, advogados e ativistas de direitos humanos assinaram uma carta semelhante exigindo que membros do partido revelassem seus ativos financeiros, dizendo que é a forma mais importante para acabar com a corrupção.

Analistas têm procurado sinais de que os novos líderes da China podem guiar um caminho de reforma política, seja ao permitir livre expressão na Internet, maior experimentação com a democracia ou liberar dissidentes presos.

Mas o partido, não tolera a dissidência às suas regras e que valoriza a estabilidade acima de tudo, tem até agora dado poucos sinais de querer ir por este caminho.

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