Alkis Konstantinidis/Reuters
Alkis Konstantinidis/Reuters

Acampamento Moria: a ‘selva’ que abrigava 12 mil refugiados na Grécia

Conheça alguns dos elementos sobre o maior acampamento de refugiados da Grécia que, segundo ONGs de defesa dos refugiados, tornou-se 'uma vergonha para toda Europa'

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 19h03

ATENAS - Devastado por um incêndio gigantesco, o campo de refugiados de Moria na ilha grega de Lesbos, lotado com mais de 12 mil migrantes, tem o apelido de "selva", assim como o campo de Calais, na França. 

Conheça alguns dos elementos sobre o maior acampamento de refugiados da Grécia que, segundo ONGs de defesa dos refugiados, tornou-se "uma vergonha para toda Europa".

De um acampamento de transição para a 'selva' 

O campo de Moria foi aberto em 2013 em uma instalação militar. Inicialmente, serviria como centro administrativo de registro para algumas centenas de migrantes que lá faziam uma escala em seu trajeto até o norte da Europa.

Dois anos mais tarde, como consequência da guerra na Síria, Lesbos e seus 85 mil habitantes receberam um fluxo de mais de 450 mil solicitantes de abrigo em apenas um ano.

Por trás de suas enormes barreiras de arame farpado, Moria é o único local disponível na ilha, onde as autoridades tentam controlar a chegada de migrantes.

Com a maioria das fronteiras dos países europeus fechada, Lesbos acabou se tornando uma espécie de gargalo para os refugiados.

O acordo entre União Europeia e Turquia, assinado em março de 2016 para impedir a chegada de sírios procedentes da Turquia, mudaria as regras do jogo. Mas os migrantes continuaram chegando à ilha grega próxima do litoral turco. O campo, onde as condições sanitárias são lamentáveis, estendeu-se aos terrenos vizinhos.

Em 2020, a megaestrutura de Moria se tornou, segundo várias ONGs, uma "vergonha para toda Europa": prostituição, casos de estupro, sequestro de menores, tráfico de drogas e todo tipo de violência agora fazem parte do cotidiano dos refugiados. Alguns se suicidam, outros são queimados dentro de suas barracas. Entre janeiro e agosto, cinco pessoas foram esfaqueadas em mais de 15 ataques.

Da acolhida à hostilidade 

Lesbos - a ilha da solidariedade em 2015, onde os pescadores prestavam auxílio aos barcos à deriva transbordados de migrantes, e onde as avós, candidatas ao prêmio Nobel da Paz, davam mamadeira aos bebês migrantes, elogiadas até pelo papa - parece agora apenas uma lembrança distante.

Desesperados ao se verem afetados pelas decisões da política migratória europeia, os moradores da ilha, que se consideram arruinados e em perigo, impedem frequentemente o desembarque de migrantes. Nesse contexto, os assistentes sociais também acabaram se tornando alvos da violência.

Não para um novo campo 

Para descongestionar esse acampamento, o governo conservador do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, eleito em 2019, deseja construir um outro em Lesbos.

Os habitantes da ilha se opuseram à iniciativa e, em fevereiro passado, houve confrontos entre a polícia e a população.

A decisão tomada em março pelo governo turco de abrir suas fronteiras provocou a chegada de novos migrantes. E, com a pandemia da covid-19, uma nova ameaça paira sobre os mais vulneráveis, confinados em Moria desde o fim de março./AFP 

 

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