Ação antiterror dos EUA revolta Líbia

Forças especiais americanas Seal realizaram operação em Trípoli para prender suspeito de participar em atentados da Al-Qaeda em 1998

06 de outubro de 2013 | 21h33

O governo da Líbia exigiu no domingo, 6, explicações dos EUA sobre uma operação realizada por forças especiais da Marinha americana em Trípoli, no sábado, 5. Uma equipe do esquadrão de elite Seal de fuzileiros navais capturou na capital líbia Nazih al-Ragye, islamita procurado por participação nos ataques da Al-Qaeda às embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia há 15 anos.

O governo da Líbia, com medo de uma reação islâmica, exigiu uma resposta para o "sequestro" de um dos seus cidadãos. Al-Ragye, também conhecido como Abu Anas al-Libi, está na lista de mais procurados do governo americano desde 2000, quando um tribunal de Nova York o indiciou por planejar ataques a embaixadas. O FBI havia oferecido uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem a ele.

O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que a operação mostra a determinação de Washington para caçar os líderes da Al-Qaeda em todo o mundo.

Também no sábado, horas antes da ação na Líbia, outra equipe Seal fez uma operação marítima no porto de Baraawe, na Somália, reduto do movimento Al-Shabab, grupo que está por trás do ataque do mês passado em um shopping do Quênia. Na ação, os fuzileiros não conseguiram capturar ou matar o seu alvo, Mukhtar Abu Zubeyr, um dos chefes do Al-Shabab. A polícia somali disse que sete pessoas foram mortas.

"Esperamos que isso deixe claro que os EUA nunca vão parar em seu esforço para prender os responsáveis por atos de terrorismo", disse Kerry durante uma viagem a Bali. "Os integrantes da Al-Qaeda e outras organizações terroristas podem, literalmente, correr, mas não podem se esconder", disse Kerry. "Nós vamos continuar a tentar trazer as pessoas à Justiça."

A operação dupla, dois anos depois de uma equipe Seal ter matado o fundador da rede terrorista, Osama bin Laden, no Paquistão, demonstra as metas dos EUA em um momento em que militantes islâmicos têm expandido sua presença na África.

Estratégia. Um oficial dos EUA afirmou que a operação na Somália era uma resposta ao ataque ocorrido em um shopping de Nairóbi há duas semanas. A invasão do local por terroristas ligados ao Al-Shabab durou quatro dias e terminou com pelo menos 67 mortos. Lançada na madrugada de sábado, a invasão começou, segundo relatos de moradores, como um pouso em uma praia, seguido por um tiroteio prolongado.

O governo da Somália, apoiado pelo Ocidente, ainda tenta estabelecer sua autoridade depois de duas décadas de guerra civil e tem pouca influência em Baraawe, 180 quilômetros ao sul de Mogadíscio.

Questionado sobre a extensão de seu envolvimento na operação dos EUA, o primeiro-ministro somali Abdi Farah Shirdon disse que o país pretende ajudar na captura dos radicais islâmicos. "Nós estamos em colaboração com o mundo e com os países vizinhos na luta contra o Al-Shabab", afirmou.

Integrantes do grupo radical questionaram o alcance da ação. "A informação dos EUA de que um comandante do Al-Shabab estava na casa é falsa. Nenhuma autoridade estava na casa", disse Abdiasis Abu Musab, porta-voz do grupo extremista. "Combatentes comuns moraram na casa e bravamente contra-atacaram e caçaram os agressores." Ele ainda criticou o governo por aceitar a operação. "O governo somali não manda nada na Somália, ninguém lhe pede permissão para levar a cabo um ataque no país." / REUTERS

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