Ação apóia-se em armas avançadas

Ao lançar ataque à Faixa de Gaza, Israel põe em funcionamento suas máquinas de guerra de última geração

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 00h00

Bombas, muitas e guiadas eletronicamente; mísseis de longo alcance e alta precisão; blindados protegidos por cascos cerâmicos e, aguardando na linha divisória, a poderosa Divisão Barak, tropa de elite do Exército. No ataque iniciado em Gaza há três dias, as forças israelenses estão usando equipamentos novos ou em versões de tecnologuia avançada.É um sistema integrado. Sob o olho eletrônico do satélite militar Ofek-7 - lançado em julho ao custo de US$ 80 milhões - orbitando no limite de 600 km e enviando fotos, imagens digitais e dados estratégicos de toda a região, os supersônicos americanos F-16 Block 60, os mais novos da linha, lançam bombas inteligentes do tipo GBU-39, dotadas de guiagem a laser e navegação por satélite/GPS de alta definição.A GBU-39 é uma arma leve, de apenas 113 kg e 1,75 m, com capacidade para transportar o explosivo HE² de alta potência: os 23 kg a bordo da GBU-39 destroem uma casa. A versão de penetração atravessa 90 centímetros de concreto antes da detonação. A Boeing Company, fabricante, iniciou em setembro a entrega de um lote de mil unidades, mais simuladores, documentação técnica e instrução. Dotada de asas, acionadas depois do lançamento, percorre de 20 km até 110 km em vôo planado para chegar ao alvo. O índice de erro é estimado em pouco mais de 50 centímetros. A capacidade permite que os caças disparem as bombas sem sair do espaço aéreo de Israel.Não é o único recurso. A Força Aérea emprega artefatos do mesmo tipo, embora uma geração tecnológica mais antiga, de 250 kg a 900 kg, da família Paveway, fornecidos pelos EUA.De acordo com o Ministério da Defesa israelense, no sábado foi bombardeado um "centro de atividades terroristas" na cidade palestina de Khan Yunis. A operação foi executada por um único F-16 usando um míssil Popeye-4, ar-terra, segundo o porta-voz Avi Benyahou. Desenvolvido conjuntamente pela israelense Rafael e a americana Lockheed-Martin, o Popeye integra dois sistemas de direção: satélite infra-vermelho, um navegador inercial e TV digital. É grande (4,82 m), pesado (1.360 kg), leva 340 kg de explosivos e tem alcance de 78 km. O prédio atingido, aparentemente uma mesquita, foi destruído. A provável ação terrestre de Israel ficará por conta da Divisão Barak (Raio), denominação oficiosa de uma experimentada tropa de elite. O grupo, formado por 5 mil homens e mulheres, é o mesmo que esteve no sul do Líbano em 2006. Os times de assalto estão equipados com o tanque pesado Merkava IV, um gigante de 65 toneladas e quase 10 metros de comprimento. Redesenhado e com a couraça reforçada por blindagem cerâmica, o Merkava carrega um canhão de 120 mm preparado para disparar munição supersônica e cinética, feita de urânio exaurido. Extra-rígido, o projétil libera, no impacto, energia térmica acima de mil graus. A vanguarda da Barak usa blindados M-113, de 12 toneladas. A bordo, 2 tripulantes e 11 soldados equipados.

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