Ação aumenta temor de um Taleban mais forte após retirada

A morte de mais de 30 militares americanos ontem deve intensificar o debate sobre o destino da operação liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão. De um lado, a morte deles pode levar a maiores pressões dentro da Casa Branca e do Congresso para que o presidente Barack Obama acelere a retirada das tropas e decrete missão cumprida, especialmente depois da morte de Osama Bin Laden há três meses.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

Ao mesmo tempo, integrantes das Forças Armadas e algumas vozes no Pentágono e no Departamento de Estado, além de alguns senadores, temem que uma saída rápida culmine justamente no fortalecimento do Taleban, repetindo o erro dos anos 1980, quando os Estados Unidos abandonaram o Afeganistão para que o país se transformasse em um oásis de organizações terroristas como a Al-Qaeda na década seguinte.

Para a população americana, a Guerra no Afeganistão deixou de ser uma prioridade. O assunto muitas vezes não aparece listado em pesquisas sobre as principais preocupações dos americanos. O mais importante agora seria a criação de empregos e muitos questionam o gasto de dezenas de bilhões de dólares em um conflito na Ásia Central quando a taxa de desemprego é de 9% e o governo possui um dos maiores déficits de sua história

Nos últimos meses, líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte e dos Estados Unidos dizem que têm conseguido ganhos em relação ao Taleban, dominando áreas antes controladas pelo grupo no sul do Afeganistão. Mas o custo para reverter o destino do conflito tem sido alto.

O ano passado foi o mais violento desde o início do conflito, com 711 militares estrangeiros mortos. Neste ano, pode ser superado mais uma vez, com 374 baixas na Otan até agora, sendo dois terços americanas. Ao todo, nos dez anos de conflito, cerca de 1.600 militares dos EUA foram mortos.

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