Ação da Marinha francesa prende 11 piratas somalis

Operação coincide com lançamento de pacote americano antipirataria

REUTERS, AP E NYT, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

A Marinha francesa capturou ontem 11 piratas no Golfo de Áden, na costa leste da África, frustrando o que seria o quinto sequestro de um navio cargueiro desde o fim de semana.A ação coincide com a expansão da estratégia de combate à pirataria anunciada ontem pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Ela disse, em Washington, que a comunidade internacional deve rastrear e congelar as movimentações financeiras de pessoas ligadas à pirataria no Golfo de Áden."Nós podemos estar lidando com um crime do século 17, mas precisamos usar estratégias do século 21", disse Hillary. "Esses piratas são criminosos, são membros de uma gangue armada e devem ser levados à Justiça."Na ação de ontem, os militares da Marinha francesa chegaram ao grupo depois de atender a um pedido de socorro enviado pelo navio de bandeira liberiana Safmarine Asia, atacado na noite de terça-feira por piratas somalis armados com fuzis e lançadores de granadas.Ao receber o chamado, a fragata francesa Nivôse enviou ao local um helicóptero militar, que chegou a tempo de monitorar o deslocamento do bote usado pelos piratas em direção a uma embarcação maior, com 10 metros de comprimento, usada como base flutuante, a 900 quilômetros da costa.Depois de monitorar a movimentação dos piratas, forças francesas invadiram a embarcação na manhã de ontem e encontraram a bordo diversas armas, além de 17 barris de combustível.A fragata Nivôse rebocou o barco até um porto de Mombasa, no Quênia, de onde os 11 piratas capturados devem ser enviados à França para julgamento.Na semana passada, a Marinha francesa havia libertado o veleiro Tanit, numa operação que terminou com dois piratas e um refém mortos. No domingo, militares americanos haviam libertado Richard Phillips, capitão do cargueiro Maersk Alabama, matando três piratas.ATAQUENa mesma noite do ataque ao Safmarine Asia, um grupo de piratas também investiu contra o navio americano Liberty Sun, que levava ajuda humanitária a Mombasa.O navio foi atacado com disparos de fuzis e de lança-granadas, mas nenhum tripulante foi capturado."Estamos sob ataque de piratas", disse Thomas Urbik, num e-mail enviado a sua mãe durante o ataque. "Estamos numa barricada na sala das máquinas e, até agora, ninguém foi ferido."Na última semana, os piratas somalis aumentaram as ameaças contra embarcações e tripulantes americanos que passem pela costa leste da África."Em vez de capturá-los, vamos massacrá-los", disse à agência Associated Press um jovem identificado apenas como Ismail.PLANO DOS EUADoadores - Designar um enviado especial para a conferência de países doadores para a Somália, em BruxelasPrisão - Reforçar a determinação dos países de processar os piratas capturadosLibertações - Desenvolver estratégias para a libertação de navios e tripulantes capturadosFinanciamento - Rastrear e congelar constas bancárias usadas pelos piratas para movimentar o dinheiro dos resgatesNegociação - Reiterar que os EUA não fazem concessões nem pagam para libertar refénsDiálogo - Aumentar o contato com membros do governo de transição da Somália e com senhores da guerra locaisPressão - Convencer as autoridades somalis a agir contra os piratas em terraSegurança - Fazer com que as companhias de navegação aumentem as medidas de segurança

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