Amr Abdallah Dalsh/Reuters
Amr Abdallah Dalsh/Reuters

Ação da Otan na Líbia divide Europa

Entrada da aliança atlântica na guerra depende de aprovação unânime; no Egito, Ban Ki-moon é ofendido por simpatizantes de Kadafi

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

Após três dias de ataques aéreos, as operações militares na Líbia, realizadas das pela coalizão de EUA, França e Grã-Bretanha, dividem os países da Europa. Além da oposição dos governos da Alemanha e da Rússia aos bombardeios, a possível passagem do comando das operações militares contra o governo líbio para as mãos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também é criticada.

O primeiro empecilho seria a Turquia, que não aceitaria a ação por ter sido excluída da reunião em Paris com 22 participantes que delineou o ataque no sábado. A participação da Otan em qualquer ação militar na Líbia deveria contar com a aprovação dos 28 membros. Os países árabes também são contra.

A posição turca não é o único obstáculo. A impressão de que a França busca protagonismo político com a operação na Líbia não agrada a todos os integrantes da aliança atlântica. Também há o temor de que os ataques sob a Otan matem mais civis.

A crítica mais intensa à ação militar veio de Moscou e de Bruxelas. Na capital belga, ministros das Relações Exteriores da União Europeia reuniram-se para discutir a adoção de novas sanções contra a Líbia. O tema foi o único ponto de convergência entre os chanceleres europeus. O chanceler italiano, Franco Frattini, pediu uma investigação internacional sobre os ataques.

"Não deveria ocorrer uma guerra na Líbia. Temos de aplicar plenamente a Resolução 1.973", afirmou. O italiano disse que a existência de múltiplos centros de comandos - referindo-se ao possível acionamento da Otan - levaria o país a repensar o uso de suas bases militares para os ataques a alvos líbios.

O secretário de Defesa da Grã-Bretanha, Liam Fox, contribuiu para a polêmica ao dizer que os ataques podem acabar com a vida de Muamar Kadafi. "Essa seria potencialmente uma possibilidade, mas seria preciso levar em conta vítimas civis que resultariam dessa ação", disse.

Pressão. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conhecido nos meios diplomáticos por se esquivar de situações críticas, passou por uma experiência embaraçosa. O sul-coreano fazia uma visita à Praça Tahrir, palco da revolução que depôs o ex-ditador Hosni Mubarak. Ali, cerca de 50 simpatizantes de Kadafi cercaram o secretário e sua comitiva, gritando contra a ONU, insultado os Estados Unidos e ameaçando-o. Alguns dos manifestantes - que levavam pôsteres com a imagem de Kadafi - conseguiram furar a barreira de segurança e jogar papéis no rosto dele.

Ban teve de ser retirado do local pela segurança, que abriu caminho até permitir que o sul-coreano entrasse pelas portas do fundo no prédio onde está a sede da Liga Árabe. Ao chegar, o escritório do primeiro-ministro, foi mais uma vez alvo de ataques e ameaças. Desta vez, eram egípcios pedindo mais emprego e moradia.

Já em um local seguro, o secretário insistiu que apenas uma aliança entre a ONU e a Liga Árabe permitirá que a democracia ganhe força na região. "Não há como dar um passo para trás diante desse movimento de reformas e democracia", completou. / COM AFP, REUTERS e EFE

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