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Ação de apoio a civis vira desculpa para interferência militar

Corredores humanitários também são usados como via de entrada da tropa de intervenção

O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h02

Cenário: Roberto Godoy

Os corredores humanitários podem servir estritamente ao resgate das populações envolvidas em zonas de conflito, mas também são usados como via de entrada da tropa de intervenção - afinal, é preciso garantir a segurança dos comboios que transportam alimentos, equipes médicas e suprimentos.

 

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A Guerra do Golfo, em 1991, de certa forma, militarizou a ação humanitária. Durante 12 anos, até a segunda invasão do Iraque, em 2003, tropas e aviões da coalizão liderada pelos EUA trataram de controlar o território iraquiano e de seus vizinhos argumentando que era necessário garantir a circulação das doações e das equipes de serviço sob mandato da Organização das Nações Unidas (ONU). Funciona assim: o marco zero é fixado em um país vizinho à zona de conflito. No caso da Síria, a escolha é ampla: Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque ou mesmo a Arábia Saudita.

A partir desse ponto e por acordo comum, validado pela ONU, são fixadas as coordenadas da "faixa verde" e o espaço do corredor, definido geralmente como uma passagem de 2,5 quilômetros de largura fora das cidades e 140 metros de lado a lado nas áreas urbanas. O controle é exercido por aviões de vigilância, satélites e, em campo, por equipes internacionais encarregadas apenas de preservar a integridade dos profissionais e da carga.

No conflito dos Bálcãs, em 1999, não deu certo. As tropas sérvias comprometeram a ação dos capacetes-azuis da ONU. Na Líbia, a preocupação do regime de Muamar Kadafi com o uso de um corredor humanitário na Tunísia, para infiltração de grupos combatentes, comprovou-se justificada. Na Síria, haveria dificuldades. O governo de Bashar Assad não aceitaria a situação e, diferentemente de outros cenários, tem fogo pesado: 310 mil soldados, 4,6 mil tanques e 600 aviões. Tudo funciona bem.

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