Ação de Mugabe intimida exilados no Reino Unido, diz jornal

Agentes do regime buscam silenciar rivais políticos e impedir o envio de dinheiro aos opositores do presidente

EFE

28 de junho de 2008 | 06h10

Agentes do regime do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, estão "aterrorizando" dissidentes desse país que vivem no Reino Unido, denuncia neste sábado o diário britânico "The Independent". Essa "campanha de intimidação" tem como objetivo silenciar seus rivais políticos e impedir o envio de dinheiro ao Movimento para Mudança Democrática (MDC), liderado pelo opositor Morgan Tsvangirai. Segundo o "Independent", o serviço de segurança do regime, a chamada Intelligence Organization, comanda uma bem orquestrada campanha para semear o pânico entre os quatro mil filiados ao partido opositor que vivem no Reino Unido. Os agentes de Mugabe fazem ligações telefônicas ameaçadoras e enviam mensagens nas quais comunicam que a arrecadação de fundos para o MDC foi suspensa. Fontes dos serviços de inteligência britânicos confirmaram na noite de ontem a existência dessa campanha, e disseram que ela foi intensificada nas últimas semanas. Segundo fontes da oposição do Zimbábue, a campanha tenta principalmente interromper o fluxo de dinheiro do Reino Unido ao Zimbábue, que servia para financiar as atividades da oposição. "O dinheiro era muito importante para financiar a campanha (eleitoral) de Tsvangirai. Serve para comprar 10 mil litros de combustível por mês e enviar cargas de telefones celulares", disse ao jornal Tendai Goneso, tesoureiro do MDC nas ilhas britânicas. "Estão filmando nossos filiados, e os acusando de fazer o trabalho do 'homem branco'. Além disso, eles recebem ligações com advertências de que seus nomes estão em uma lista em Harare", denunciou Goneso. Segundo o "Independent", os agentes do regime de Mugabe filmam os protestos em frente à Embaixada do Zimbábue em Londres e dizem aos participantes que suas famílias "sofrerão as conseqüências". Além disso, confiscaram 60 mil boletins do MDC que seriam enviados em segredo a Harare para distribuição nos comícios eleitorais. Os espiões do Zimbábue também conseguiram interceptar informação enviada da sede do MDC em Londres a seu quartel-general de Harare. Com isso, as autoridades do Zimbábue puderam confiscar telefones celulares que seriam enviados às zonas rurais para que os moradores informassem sobre eventuais atos de violência.

Tudo o que sabemos sobre:
MugabeZimbábueeleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.