Ação de tropas americanas diminui prisão de imigrantes ilegais do México

Desde o início da operação de tropas da Guarda Nacional na fronteira entre EUA e México, no dia 15 de maio, a detenção de imigrantes ilegais diminuiu 45% por causa do efeito dissuasório da presença militar, informaram nesta quarta-feira a Guarda Nacional e a Patrulha Fronteiriça.Durante uma entrevista coletiva, o chefe nacional da Patrulha Fronteiriça, David Aguilar, e o líder da Guarda Nacional, o tenente-general Steven Blum, disseram que agora há 4.589 soldados na fronteira e que até o dia primeiro de agosto haverá cerca de 6 mil.O tenente-general Blum disse que o objetivo da Guarda Nacional nos próximos dois anos é apoiar os agentes da Patrulha Fronteiriça em sua missão de vigiar e prender imigrantes ilegais."Não estamos invadindo o México, não estamos defendendo os EUA de uma invasão mexicana. Não estamos fechando a fronteira nem a militarizando", declarou o chefe da Guarda Nacional.Blum destacou a "boa cooperação" de duas décadas entre as autoridades dos EUA e do México para tentar interromper a passagem de criminosos pela fronteira.Aguilar, por sua vez, afirmou que logo que a Guarda Nacional sair não haverá "o vácuo" que, por falta de recursos, havia na faixa fronteiriça antes da operação militar."Antecipamos uma transição suave" na qual os agentes da Patrulha Fronteiriça poderão continuar suas tarefas de combate à imigração ilegal, concluiu.O chefe nacional da Patrulha Fronteiriça desmentiu as afirmações de que supostos terroristas entraram nos Estados Unidos pela fronteira mexicana. "Com base em dados do serviço de inteligência, o que posso dizer é que houve a tentativa de explorar a possibilidade de entrar pelo México, mas é necessário reconhecer que o México trabalha para evitar que isso aconteça", declarou o chefe da Patrulha Fronteiriça.Perguntado pela se o Governo dos EUA tem provas de que supostos terroristas cruzaram a fronteira do México, Aguilar respondeu categoricamente que "não aconteceu".Em declarações à emissora Fox, o presidente da Câmara de Representantes dos EUA, o republicano Dennis Hastert, disse na sexta-feira que "alguns" dos 19 terroristas envolvidos nos atentados de 2001 cruzaram a fronteira do sudoeste."Os terroristas vão entrar no país da forma que for possível. Caso consigamos pará-los nos aeroportos, bloqueá-los no mar, então cruzarão a fronteira seja pelo norte ou pelo sul", afirmou Hastert, que recentemente fez uma viagem por Juma, no estado do Arizona, que faz fronteira com o México.Contratação de ilegaisAinda nesta quarta-feira, o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (DHS) anunciou uma nova iniciativa para fazer com que os empregadores cooperem com o Governo a fim de evitar a contratação de imigrantes ilegais.O programa, denominado "Acordo Mútuo entre o Governo e os Empregadores" e a cargo do Escritório de Imigração e Alfândega do DHS, visa estabelecer "alianças de cooperação" entre as autoridades federais e os empresários para reduzir a contratação de empregados ilegais.O DHS explicou em comunicado que também pretende melhorar o cumprimento das leis trabalhistas do país com oficinas de informação e capacitação para empregadores do setor privado.Nessas oficinas, os empregadores receberão informação sobre as normas adequadas de contratação, detecção de documentos falsos e leis que proíbem a discriminação.Como parte desta iniciativa, as autoridades pedem que as empresas participem do chamado Programa Piloto de Verificação de Emprego, para confirmar que as pessoas contratadas têm permissão legal para trabalhar nos EUA.Por enquanto, pouco mais de 10 mil empregadores em todo o país participam voluntariamente desse programa, a cargo do Escritório de Serviços de Imigração e Cidadania (USCIS).Diante do aumento das medidas policiais nos centros de trabalho, os empregadores solicitaram ao DHS mais informações sobre como evitar a contratação de trabalhadores imigrantes ilegais."Qualquer estratégia integral para conter o fluxo da imigração ilegal deve abordar o problema dos milhares de empregadores que, com pleno conhecimento ou não, contratam imigrantes ilegais", disse o diretor do DHS, Michael Chertoff.Chertoff acrescentou que a perseguição de empregadores que violam as leis de imigração é apenas uma parte da estratégia para solucionar o grande fluxo de imigrantes ilegais.

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