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Ação de Trump contra países islâmicos barra cristãos nos EUA

Política anti-imigração do presidente americano para países de maioria islâmica causa queda recorde no ingresso de refugiados de origem cristã

Renata Tranches, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2018 | 06h00

Durante sua campanha, Donald Trump chegou a prometer banir todos os imigrantes muçulmanos dos EUA. Dois anos mais tarde, ao colocar em prática sua política migratória e de acolhimento, o presidente republicano levou a uma redução dramática de chegadas de refugiados não só desse grupo, mas de cristãos do Oriente Médio, região em que são especialmente vulneráveis. Parte do compromisso do republicano era protegê-los.

No ano fiscal de 2018, que se encerrou no dia 30, os EUA receberam apenas 15.748 refugiados cristãos. No período anterior, foram 24.764 e, no de 2016, 36.822. Os números representam uma queda de 57% do acolhimento de cristãos em apenas dois anos, segundo o Departamento de Estado.

Os muçulmanos foram ainda mais prejudicados, com a entrada de apenas 3.495 refugiados no ano fiscal de 2018, enquanto que no de 2017 esse grupo somou 22.861 entradas no país. No de 2016, foram 38.900 refugiados aceitos. Queda de 91% em dois anos. Entre 2010 e 2017, havia sido registrado um aumento no número de refugiados, que passaram de 53.716 para 84.994 por ano.

A tendência deve se aprofundar. No mês passado, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou que os EUA não aceitarão mais do que 30 mil refugiados no ano fiscal de 2019, que começou no dia 1.º. Esse número representa o teto das chegadas, mas dificilmente o total é alcançado. O limite do último ano fiscal era de 45 mil, mas o país só recebeu 22.491.

Em geral, os dados da administração Trump são os mais baixos desde que o presidente republicano Ronald Reagan assinou o Ato do Refugiado em 1980. Desde então, a média anual de refugiados acolhidos nos EUA vinha sendo de 95 mil pessoas.

O diretor de Mobilização de Igrejas da ONG World Relief, Matthew Soerens, disse ao Estado que não tem chegado quase refugiados cristãos dos países de maioria muçulmana no Oriente Médio. Alguns desses países - Iêmen, Líbia, Irã, Iraque e Síria - foram diretamente afetados pela ordem executiva assinada por Trump vetando a entrada de seus cidadãos.

Ele cita o exemplo do Iraque, onde o próprio Departamento de Estado afirmou que estava ocorrendo um genocídio das minorias cristã e yazidi. No entanto, no último ano fiscal americano, o número de refugiados cristãos do Iraque autorizados a entrar nos EUA caiu 98% em comparação ao ano anterior.

A World Relief é uma das nove agências autorizadas do programa de assentamento de refugiados do governo americano. A entidade e outras seis que compõem uma associação evangélica sobre imigração assinaram uma carta aberta ao Departamento de Estado para que reveja sua política de baixa acolhida de refugiados cristãos.

“Conhecemos pessoalmente as histórias desses refugiados, sabemos como pode mudar e até mesmo salvar suas vidas ter uma oportunidade de se estabelecer nos EUA. Sabemos que algumas dezenas de milhares dessas pessoas não tiveram essa oportunidade”, diz Soerens.

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