Ação desastrada ameaça confiança em Saakashvili

Erros e retórica exaltada minam apoio da população a presidente da Geórgia

Reuters, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2008 | 00h00

A maioria dos georgianos apóia o governo em seu conflito com a Rússia, mas vozes discordantes têm se levantado contra o presidente Mikhail Saakashvili por levar Tbilisi a uma guerra que jamais poderia vencer.Há um sentimento crescente na capital de que o líder georgiano jogou com a expectativa de uma intervenção de seus aliados ocidentais para barrar uma ofensiva russa. Ele perdeu feio. A oposição tem se mostrado relutante em criticá-lo, mas alguns começam a protestar. "O apoio ao presidente é uma questão de princípio, agora que enfrentamos uma agressão", disse David Usupashvili, do Partido Republicano. "Mas, quando esse pesadelo acabar, muitos começarão a questionar, porque sabem que Saakashvili cometeu um erro ao não pensar nas conseqüências."Milhares foram às ruas de Tbilisi na terça-feira para denunciar a "agressão russa" e ovacionar Saakashvili. Mas analistas dizem que ele corre o risco de perder a confiança da população, com sua campanha militar desastrosa. "Há muitos mortos. Qual o sentido de tudo isso? Caímos em uma armadilha muito bem planejada", disse Archil Gegeshidze, da Fundação Georgiana para Estudos Internacionais e de Segurança. Mas não são apenas as ações militares que ameaçam o apoio a Saakashvili. Outro problema é o tom cada vez mais feroz e confuso que ele vem usando, à medida que o conflito se estende, fazendo líderes separatistas o qualificarem de "esquizofrênico" e diplomatas afirmarem que ele está perdendo a guerra de informação.Em entrevista à rede americana CBS, Saakahsvili comparou Moscou à Alemanha nazista e acusou os russos de arrasar o país: "Tanques estão levando as pessoas de Tbilisi para campos de concentração. Estão levando móveis, tampas de banheiro e matando pessoas." Moscou nega os saques e a tomada da capital. O presidente também interrompeu uma entrevista ao dizer que aviões russos estavam bombardeando seu palácio - informação negada por seus próprios funcionários. Saakashvili também acusou o Ocidente de ser indulgente com a Rússia, traçando paralelos com a política européia em relação à Alemanha nazista. "A reação não está sendo adequada. Estão apaziguando. Em 1938, a política de apaziguamento causou dezenas de milhões de mortes na Europa."Para um diplomata ocidental em Moscou, Saakashvili não tem se mostrado convincente."Ao ver suas entrevistas, acha que ele está ganhando a guerra de informação? Ele parece alguém estressado. Não creio que esteja bem."

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