Ação do Kremlin no leste da Ucrânia é bastante limitada

ANÁLISE:

Joshua Keating*, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2014 | 02h05

Após um hiato, há rapidez nos acontecimentos na Ucrânia. Manifestantes pró-Rússia tomaram um prédio do governo em Donetsk, leste do país, proclamando uma "república" independente e prometendo realizar um referendo sobre soberania nacional, em 11 de maio - duas semanas antes das eleições presidenciais da Ucrânia, marcadas para o dia 25.

O governo russo disse não ter intenção de interferir no território ucraniano, mas se reserva o direito de proteger os habitantes de etnia russa que ali residem. O presidente interino da Ucrânia, Oleksandr Turchinov, acusou a Rússia de "repetir a encenação da Crimeia": ativistas tomam o poder, fazem um referendo a respeito da independência, soldados russos chegam para "protegê-los" e o território é anexado.

O leste da Ucrânia é diferente da Crimeia - maior, menos autônomo historicamente e com menor predomínio russo na demografia. Além disso, Kiev e seus aliados ocidentais tiveram mais tempo para se preparar, diferentemente do caso da Crimeia. Como disse o analista militar Pavel Felgenhauer, semanas atrás, a janela de oportunidade para a jogada do Kremlin é limitada - uma invasão teria de ocorrer antes que a eleição de 25 de maio confira ao novo governo ucraniano mais estabilidade e legitimidade.

Levando-se em consideração o quanto o mundo acompanha o país há meses, seria de se imaginar que os aliados europeus e americanos da Ucrânia tenham planejado algum tipo de resposta - diferentemente do episódio da Crimeia, quando seus governos deram a impressão de terem sido apanhados de surpresa. Parece bastante possível que Vladimir Putin ainda não tenha definido seus planos. Seja qual for a decisão dele, logo saberemos.

*Joshua Keating é colunista.

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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