Ação em NY tentou dar caráter global ao Taleban

O Tehrik-i-Taleban, como é oficialmente denominado o Taleban no Paquistão, deixou de ser uma organização de atuação local para passar a agir globalmente ao levar adiante o fracassado atentado terrorista na Times Square. Criado em 2007, o Taleban paquistanês, que é um braço do afegão, concentrava suas operações contra as forças americanas e de seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estacionadas no Afeganistão, além do próprio governo paquistanês. Nunca, nestes três anos, eles tinham atacado fora desta área.

Análise: Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2010 | 00h00

Outras organizações de atuação local, como o Hamas palestino, o IRA (irlandês), a ETA (basca), os Tigres Tâmeis (Sri Lanka) e o próprio Taleban do Afeganistão também sempre evitaram ações distantes de suas regiões de interesse. No passado, facções palestinas como o próprio Fatah atacavam globalmente, antes de voltar para operações locais depois dos anos 90.

Ao agir localmente, grupos tendem a conseguir mais simpatia internacional para sua causa. Já quando atacam em outras partes do mundo, atraem mais oposição a seus objetivos. A vantagem é que o impacto costuma ser maior. A explosão de um carro-bomba em Lahore pode ser quase um clichê, mas em Nova York teria repercussões bem além da Ásia Central.

O mais provável é que a decisão de lançar um ataque na Times Square tenha sido motivada pelo fortalecimento da aliança com a Al-Qaeda, que sempre atuou globalmente e pode ter influenciado o Taleban paquistanês. Membros da rede terrorista são escondidos pelo grupo em áreas como Waziristão do Sul, na fronteira do Paquistão com o Afeganistão.

A falta de um suicida e o uso de um carro-bomba com explosivos simples deixam clara uma alteração no modo de agir do Taleban. A Al-Qaeda, em suas operações, sempre utiliza uma pessoa disposta a se matar para facilitar a logística do atentado, além de explosivos modernos, como o pó que um nigeriano tentou utilizar para explodir um avião em Detroit. O mesmo vale para o Taleban no Paquistão e no Afeganistão. Em Nova York, foi diferente. Não está claro se é uma nova estratégia, ou incapacidade de recrutar um terrorista e preparar explosivos mais poderosos.

É CORRESPONDENTE EM NOVA YORK

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