Ação francesa na África terá 1,2 mil soldados

Tropas vão à República Centro-Africana intervir em confronto entre muçulmanos e cristãos; em dois dias, conflito deixou quase 300 mortos

BANGUI, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2013 | 02h05

A França enviou ontem cerca de 1,2 mil soldados para a República Centro-Africana, na segunda grande intervenção que o país faz na África em menos de 12 meses - em janeiro, o presidente francês, François Hollande, enviou militares ao Mali para combater o avanço de extremistas islamistas que tentaram um golpe de Estado.

A medida mais recente foi tomada depois de o Conselho de Segurança da ONU autorizar, na quinta-feira, uma intervenção conjunta entre africanos e franceses para proteger a população centro-africana. Tropas do Congo também participarão da movimentação.

Apesar do início da intervenção, ontem ainda havia vários focos de confronto entre muçulmanos e milícia cristãs, aumentando a quantidade de civis mortos de forma indiscriminada.

"Este horrível ciclo de violência e retaliação deve parar imediatamente", disse um porta-voz da ONU, citando casos nos quais grupos rivais invadiram residências e mataram adultos e crianças. "Os civis devem ser protegidos."

De acordo com a Cruz Vermelha, pelo menos 281 corpos foram recuperados após dois dias de confrontos em Bangui, capital e maior cidade da República Centro-Africana. A previsão da organização, no entanto, é que o número de mortos seja muito maior.

Em Paris, Hollande declarou durante um encontro com líderes africanos, entre eles o presidente congolês, Joseph Kabila, aliado na crise, que há urgência de criar uma força de segurança regional na África.

"A África deve ser senhora do seu próprio destino e isso significa gerenciar a sua própria segurança."

Segundo Hollande, o governo francês está pronto para treinar 20 mil soldados africanos por ano, além de suprir a estrutura de comando dessa força de segurança com funcionários.

"Nós somos gratos à França, mas não é normal eles terem que intervir como 'bombeiros' para nos salvar, depois de quase 50 anos de independência", afirmou o presidente da Guiné, Alpha Conde, que defendeu a criação de uma aliança militar africana nos moldes da Otan.

Violência. A República Centro-Africana, ex-colônia francesa, vive uma situação de completo caos desde março, quando os rebeldes Seleka, em sua maioria muçulmanos, tomaram o poder, desencadeando uma série de confrontos com milícias "antibalaka", formada principalmente por cristãos. A violência desta semana foi a pior desde o início do conflito.

Funcionários do hospital comunitário de Bangui disseram que como o necrotério está lotado, os corpos dos mortos são mantidos em outras partes da instituição. / REUTERS

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