Ação leva a comparações entre Kirchners e Chávez, diz jornal

Novo modelo de censura à imprensa foi criado por líder venezuelano

EFE, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

A ofensiva contra o grupo de mídia Clarín voltou a dar fôlego para as comparações entre o governo de Cristina Kirchner e o do venezuelano Hugo Chávez na Argentina. "Nunca, como ontem, Buenos Aires se pareceu tanto com Caracas", escreveu Joaquín Morales Solá, articulista do jornal argentino La Nación. "Quando cerca de 200 fiscais chegaram às portas do Clarín, as imagens lembravam um ataque de grupos chavistas à Globovisión, a única TV privada que ainda transmite (no canal aberto) na Venezuela."

As relações entre Cristina e Chávez sempre foram polêmicas na Argentina. Tanto que, muitas vezes, autoridades argentinas tiveram de negar que seu governo tenha intenções de promover uma "onda de nacionalizações" como a do venezuelano. Recentemente, Cristina teve de explicar por que o governo aliado expropriou a argentina Techint na Venezuela.

Desde 2005, Chávez comprou mais de US$ 9 bilhões em títulos da dívida argentina. E em 2008, um empresário venezuelano foi pego tentando entrar em Buenos Aires com uma maleta com US$ 800 mil - segundo denúncias, recursos enviados por Chávez para a campanha eleitoral de Cristina.

Agora, o governo argentino é acusado de dotar o que analistas descrevem como um "novo modelo de censura" - patenteado por Chávez, e copiado por Bolívia, Equador e Nicarágua.

Desde que Chávez declarou guerra à imprensa em seu país, em 2002, a maior TV venezuelana foi tirada do ar e as ameaças se multiplicaram. Os meios de comunicação passaram a receber multas e sanções administrativas e viraram alvo de ataques de aliados de Chávez. Recentemente, o presidente anunciou que pretende fechar a Globovisión e mais de 200 rádios.

"Esses latino-americanos estão fazendo o mesmo que as ditaduras militares faziam com a imprensa há três décadas", escreveu Solá. "Venezuela, Argentina, Equador, Bolívia e Nicarágua têm governos democráticos por eleição, mas estão perdendo essa condição no exercício do poder."

No Equador, Correa também ameaça fechar rádios e TVs. Além disso, um projeto de lei prevê a regulamentação do "conteúdo midiático" (veja box). Na Bolívia, os meios opositores são atacados com frequência por aliados de Evo Morales - que está processando o jornal La Prensa. E, na Nicarágua, Daniel Ortega tem conclamado seus seguidores a uma "batalha" contra a imprensa.

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