Ação militar irrita Londres e Tóquio

Primeiro-ministro britânico disse que não foi avisado do ataque e seu colega japonês pediu que governo argelino suspendesse operação

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2013 | 02h02

Os principais líderes da Europa, assim como do Japão e dos EUA, enfrentaram dificuldades ontem para obter informações precisas do Ministério do Interior da Argélia sobre o que se passava na usina de gás de In Amenas. No fim do dia, com a confirmação das primeiras baixas na ofensiva, governos de vários países demonstraram desconforto ou acusaram diretamente Argel pelas mortes durante a operação militar.

Em tom diplomático, o presidente da França, François Hollande, destacou as "condições dramáticas" do sequestro em In Amenas, mas deixou claro que não tinha informações claras sobre o que estava ocorrendo. "As autoridades argelinas me informam regularmente sobre a situação, mas eu ainda não disponho de elementos suficientes para fazer uma avaliação", afirmou.

Mais cedo, Hollande qualificara a situação de "no mínimo confusa", confirmando que não dispunha "de nenhuma informação precisa a respeito do número de franceses" que estariam em poder dos jihadistas na Argélia.

O presidente francês, no entanto, deixou claro que o ataque de In Amenas não influenciará nas operações da França no Mali. "O que está ocorrendo na Argélia justifica ainda mais a decisão que tomei em nome da França de ajudar o Mali", afirmou Hollande.

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, revelou ontem que o assalto das Forças Armadas às instalações sob o controle dos extremistas ocorreu sem o conhecimento do governo e contra as recomendações feitas pelos britânicos à Argélia na quarta-feira.

Péssimas notícias. Por meio de seu porta-voz, o premiê britânico afirmou que "preferiria ter sido informado do ataque" antes de sua conversa com o primeiro-ministro argelino, Abdelmalek Sellal. Em discurso, Cameron preparou a opinião pública da Grã-Bretanha para o pior. "As Forças Armadas argelinas atacaram o local. É uma situação muito perigosa, muito incerta e muito fluida", afirmou Cameron. "Nós nos preparamos para a possibilidade de más notícias pela frente."

As críticas mais fortes, entretanto, foram feitas pelo governo do Japão. Yoshihide Suga, porta-voz do primeiro-ministro Shinzo Abe, disse que o líder japonês havia telefonado para Argel e pedido ao premiê argelino que "considerasse a vida das pessoas como a mais alta prioridade".

Abe também teria deixado clara "sua profunda preocupação com o fato de que uma operação estava em curso". O premiê japonês teria ainda solicitado - sem sucesso - que a Argélia interrompesse "imediatamente" a operação militar.

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