Andrew Caballero-Reynolds / AFP
Andrew Caballero-Reynolds / AFP

Pompeo fala em ação militar ‘possível’, mas Pentágono nega plano

Em entrevista a uma emissora de TV, Mike Pompeo afirma que Washington preferiria uma transição de poder pacífica no país caribenho; Ministério das Relações Exteriores da Rússia nega que teria convencido Maduro a não fugir do país

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2019 | 09h03

WASHINGTON - A cúpula do governo de Donald Trump manteve nesta quarta-feira, 1º, a pressão sobre o regime chavista e seu apoio à estratégia adotada pelo autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, para derrubar Nicolás Maduro. O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou que o governo americano está preparado para realizar uma ação militar para conter a turbulência na Venezuelase necessário. A declaração vai um passo além do que vinha sendo dito pelos americanos até agora. 

Antes da fala de Pompeo, o alto escalão do governo Trump preferia adotar publicamente a ameaça velada de uma ação militar por meio da repetição da frase dita pelo presidente sobre o assunto: “todas as opções estão na mesa”. 

“O presidente (Trump) foi cristalinamente claro e incrivelmente consistente. Ação militar é possível. Se for necessário, isso é o que os Estados Unidos farão”, afirmou Pompeo em entrevista à emissora de TV Fox Business. 

Nos bastidores, os assessores da Casa Branca consideram improvável que Washington use de força na região sem respaldo dos vizinhos. Brasil e Colômbia já se manifestaram publicamente contra qualquer ação militar, alinhados com o posicionamento do Grupo de Lima.

Ainda nesta quarta, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia rejeitou a informação de que teria convencido o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a não fugir do país diante dos protestos. 

Os americanos consideram que o apoio regional é crucial para qualquer ato de força no local e, por isso, têm apostado no uso das sanções econômicas para pressionar Maduro. Além de indicarem a possibilidade de uma anistia e alívio de sanções para quem apoiar Guaidó, o governo Trump também tenta causar fraturas no governo de Nicolás Maduro, ao dizer que o entorno do venezuelano ensaia apoio a Guaidó.

Horas depois da declaração do secretário de Estado, o Pentágono negou que haja qualquer ordem de preparação militar para uma ação na Venezuela. “É claro que sempre analisamos opções disponíveis (…) Mas, neste caso, nós não recebemos esse tipo de ordem que vocês estão discutindo, não”, disse a deputados a secretária-assistente adjunta de Defesa para Segurança Internacional, Kathryn Wheelbarger.

Na entrevista, Pompeo afirmou que Washington prefere uma transição pacífica na Venezuela e a realização de novas eleições, mas completou dizendo que Trump “foi claro em dizer que em determinados momentos é preciso tomar decisões”. O chanceler russo, Sergei Lavrov, respondeu ao secretário de Estado americano que “passos mais agressivos envolvendo a crise venezuelana teriam graves consequências”. 

O assessor de Segurança Nacional, John Bolton, creditou a manutenção de Maduro no poder à presença cubana e russa na Venezuela. “Se os cubanos fossem para casa hoje, Maduro cairia à meia-noite”, disse Bolton em entrevista à MSNBC. Washington trava uma disputa de força com Moscou e culpa os russos pela continuidade do regime chavista. Do outro lado, a Rússia acusa os americanos de interferirem na situação da Venezuela.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.