AP Photo/Kayhan Ozer Presidential Press Service
AP Photo/Kayhan Ozer Presidential Press Service

Ação turca para capturar cidade síria dificulta luta contra Estado Islâmico

Para a Turquia, a captura de Al-Bab é importante para impedir que os curdos sírios unam as áreas de território conquistadas ao longo da fronteira

Sarah El Deeb / AP, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2016 | 05h00

A Turquia lança ofensiva para capturar a cidade de Al-Bab, o último grande reduto do Estado Islâmico ao norte da Síria. Com a captura da cidade, a Turquia fincaria realmente o pé na Síria. O que já vem causando atritos com os outros protagonistas da guerra síria. O governo do presidente Bashar Assad se opõe à incursão turca. As defesas aéreas do seu Exército têm ameaçado os caças turcos e na quinta-feira três soldados da Turquia foram mortos no que o Exército turco qualificou com um ataque aéreo sírio.

Ao mesmo tempo, aliados sírios da Turquia combatem as tropas curdas sírias, que, por seu lado, lutam com os EUA contra o Estado Islâmico. Por que Al-Bab é importante para Ancara e como pode ter impacto sobre o equilíbrio de poder na Síria? Para a Turquia, a captura de Al-Bab é importante para impedir que os curdos sírios unam as áreas de território conquistadas ao longo da fronteira. Uma região contígua controlada por curdos na Síria encorajará os rebeldes curdos da Turquia. Segundo Ancara, as forças curdas de ambos os lados da fronteira estão ligadas e são terroristas.

Uma vitória turca deve afastar ainda mais os militantes do EI da fronteira com a Turquia e pressionar os jihadistas na cidade de Raqqa. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que a Turquia foi forçada a avançar sobre Al-Bab “para preparar ali uma área livre de terroristas”. Abrigando 2,7 milhões de refugiados sírios, a Turquia pretende estabelecer uma “zona de segurança” dentro da Síria. Mas os curdos são sua prioridade.

Erdogan prometeu também submeter a cidade vizinha de Manbij, controlada pelos curdos desde que a capturaram do Estado Islâmico, depois de dez semanas de árduos combates. Essa vitória permitiu às forças curdas se expandirem para oeste do Rio Eufrates, de onde não podem avançar, segundo Ancara.

Al-Bab, ou “porta” em árabe, colocaria a Turquia numa posição ainda mais vantajosa junto a seu aliado na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os EUA, e aumentaria a influência de Ancara sobre os rebeldes sírios num momento em que o futuro governo de Donald Trump em Washington pode suspender o apoio.

Em nenhum lugar a confusa estratégia política dos Estados Unidos com relação à Síria será mais testada do que em Al-Bab.

Os Estados Unidos vêm tentando, com pouco sucesso, impedir combates entre seus dois aliados, os turcos e os curdos. Depois de o comandante das Forças Armadas dos EUA, o general Roger Dunford, visitar Ancara no início do mês, um grupo militar americano foi enviado à Turquia para tentar uma melhor coordenação das operações contra o EI. Parte dessa coordenação envolve a ofensiva contra Raqqa, disse Noah Bonsey, do centro de estudos International Crise Group, com sede em Bruxelas.

A operação é liderada pelos curdos, mas Washington reconhece a necessidade de uma força árabe sunita mais local para eventualmente capturar e controlar a cidade cuja população é majoritariamente árabe. Ancara, que também deseja participar das operações em Raqqa, pode ajudar. Mas embora se concentre no combate ao EI, Washington procura ganhar mais espaço na luta de poder com a Rússia, a Turquia e outros protagonistas no conflito da Síria. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.