Ação virtual paralisa e neutraliza capacidade de defesa

Cenário Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h04

Um ataque cibernético é uma ação "devastadora e atordoante, capaz de paralisar a reação e neutralizar, em parte ou no todo, a capacidade da Defesa", acredita um engenheiro militar brasileiro, especializado na área, Entre 2009 e 2010, o horror entrou na rede de informática das instalações de pesquisa e desenvolvimento nuclear do Irã. Era apenas a primeira versão do Stuxnet mas, ainda assim, o vírus foi capaz de destruir centenas, talvez milhares de ultracentrífugas, as máquinas que transformam urânio energeticamente 'pobre' na variação 'rica', adequada para a geração de eletricidade ou, na outra extremidade do processo, a construção de armas. O Stuxnet 1 foi criado provavelmente pela nova geração de cientistas recrutas da tão poderosa quanto discreta Agência Nacional de Segurança (NSA) americana - a maior operadora de satélites e computadores do mundo - em trabalho conjunto com os israelenses do reservado Centro Neguev.

Sabe-se pouco sobre a estrutura do programa. Teria acima de 9 milhões de linhas de código-fonte, a medida do tamanho do software e de sua produtividade efetiva. O mais avançado supersônico de múltiplo emprego da aviação dos EUA, o F-35 Lightning, é dotado de um conjunto que soma 7,5 milhões de linhas. O vírus entrou em cada uma das máquinas por meio de um dispositivo industrializado, fornecido ao Irã pela Siemens AG, da Alemanha. O dano teria atrasado o projeto atômico de Teerã em até dois anos. O governo de Mahmoud Ahmadnejad não admite ter sido atingido, mas em 2011 foi criada, em Natanz, uma agência dedicada a operações de defesa em ambientes virtuais.

A preocupação com ataques cibernéticos atingiu as Forças Armadas do Brasil. Durante a conferência Rio+20, o esquema de segurança vai ter no Riocentro um Centro de Defesa Cibernética, para proteger o sistema de telecomunicação da reunião da interferência de hackers. O investimento é de R$ 20 milhões. O Exército mantém um Centro de Guerra Eletrônica. O diretor do departamento, general Antonio Guerra, considera que há "um preparo mínimo para cenários de ataque". Segundo o oficial, a rede EBnet, que cobre todas as bases e quartéis da Força, oferece uma certa blindagem contra invasores digitais, mas, reconhece, ainda há pontos vulneráveis.

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