Aceno de desnuclearização norte-coreana é recebido com ceticismo

O líder norte-coreano, Kim Jong-il, disse na sexta-feira a um enviado chinês que vai se empenhar nas negociações multilaterais pelo fim do programa de armas nucleares do seu país, repetindo promessas já descumpridas anteriormente.

JACK KIM, REUTERS

18 de setembro de 2009 | 11h26

Alguns analistas dizem que o Norte conseguiu elevar seu cacife nas complicadas negociações multilaterais depois de realizar seu segundo teste de bombas atômicas neste ano, e que pode estar buscando uma nova forma de negociação que inclua discussões diretas com os EUA, uma antiga reivindicação de Pyongyang.

A Coreia do Norte adotou medidas conciliadoras nas últimas semanas, como a libertação de duas jornalistas norte-americanas acusadas de entrar ilegalmente no país. Analistas dizem que o regime comunista busca maneiras de recuperar suas finanças, afetadas por sanções desencadeadas por seus testes atômicos e de mísseis.

"Kim Jong-il (...) disse que a Coreia do Norte irá continuar no rumo da desnuclearização (...) e está disposta a resolver os problemas relevantes por meio de discussões bilaterais e multilaterais", disse a agência de notícias chinesa Xinhua.

EUA, China, Rússia, Japão e Coreia do Sul participam do processo multilateral com a Coreia do Norte, que tenta oferecer benefícios políticos e econômicos em troca do fim do programa nuclear do país. Pyongyang, no entanto, abandonou o diálogo, exigindo sua substituição por negociações diretas com os EUA.

Apesar dos gestos conciliatórios para a Coreia do Sul e os EUA, Pyongyang mantém ameaças nucleares, como a promessa de produzir urânio altamente enriquecido, o que lhe daria outro caminho para o desenvolvimento de armas nucleares - atualmente, o país as produz apenas com plutônio.

A reunião de Kim com o diplomata chinês Dai Bingguo também sinalizou uma maior aproximação entre os dois países comunistas, cujas relações foram abaladas depois que Pequim apoiou sanções da ONU à Coreia do Norte por causa do segundo teste nuclear do país, em maio.

A Coreia do Norte prometeu diversas vezes refrear seu programa nuclear e sempre mudou de ideia poucos dias ou semanas mais tarde.

"A Coreia do Norte vai continuar fazendo pressão para melhorar as condições", disse Yang Moo-jin, da Universidade de Estudos da Coreia do Norte. "Especialmente agora que Kim Jong-il prometeu conversar, as perspectivas não são ruins."

Mas Kenneth Boutin, da Universidade Deakin da Austrália, disse: "Há um consenso crescente de que a liderança norte-coreana não pretende abandonar seu programa de armas nucleares, e pode muito bem ser que a noção de 'desnuclearização' deles seja muito diferente da nossa."

A viagem de Dai é vista como um prelúdio da visita do premiê chinês Wen Jiabao à Coreia do Norte, oficialmente para marcar o aniversário da aliança dos dois países.

O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Yu Myung-hwan, disse que a visita de Wen deve ocorrer no início de outubro.

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