Aceno de Madri a Honduras irrita Lula

Em Ponta Porã, presidente indica que pode não ir a cúpula se Espanha convidar hondurenho

Tânia Monteiro, ENVIADA ESPECIAL / PONTA PORÃ (MS), O Estado de S.Paulo

04 Maio 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitará a reunião de hoje da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Buenos Aires, para discutir com os demais presidentes da região a Cúpula da União Europeia e América Latina, no dia 18. Lula já deu sinais de que poderá cancelar sua participação na reunião caso se confirme a presença do presidente hondurenho, Porfírio Lobo.

Lula fez as declarações em meio a reuniões com o presidente paraguaio, Fernando Lugo, em Ponta Porã (MS).

O Brasil não reconhece a eleição de Lobo, a exemplo de Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Equador e Cuba. "Não há mais espaço para rupturas institucionais e golpes militares na nossa região e na Unasul", disse Lula. O Brasil considerou ilegal a destituição do presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho. O líder foi deposto após tentar convocar uma consulta popular que poderia abrir as portas para a realização de uma Assembleia Constituinte.

Quase três meses após o golpe, em 21 de setembro, Zelaya pediu abrigo à Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, de onde saiu apenas em janeiro.

No governo brasileiro, a avaliação é que a Espanha, que está na presidência da União Europeia, estaria "forçando a barra" ao convidar Honduras, que foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA), para a assinatura do acordo de livre comércio com os países da região.

Enfraquecimento. A ausência de Lula atrapalharia os planos do bloco europeu porque esvaziaria o encontro. Hoje, na reunião da Unasul, Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Venezuela e Equador acertarão uma posição conjunta sobre o caso. A decisão de não participar da cúpula em Madri não significa, no entanto, o cancelamento da viagem de Lula à Espanha, prevista para o dia 17.

Na realidade, Lula cumpriria a agenda no país e só não iria à reunião de cúpula.

Nomeação de Kirchner marcará sessão da Unasul

Líderes dos 12 países que integram a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) devem eleger hoje o ex-presidente argentino Néstor Kirchner secretário-geral da entidade. Tudo indica que o Uruguai - único país que se opunha à candidatura de Kirchner - anunciará sua abstenção. Durante a cúpula, os chefes de governo e Estado da região deverão analisar a situação atual de Honduras e a cooperação com Haiti e Chile. / ARIEL PALACIOS

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