REUTERS/Amr Abdallah Dalsh/File Photo
REUTERS/Amr Abdallah Dalsh/File Photo

Acidente com Boeing 737 Max levanta suspeitas sobre aeronave

Queda do avião foi a segunda em menos de seis meses envolvendo o recém-lançado Boeing 737 Max; É apenas a segunda vez que um modelo com menos de dois anos de lançamento cai duas vezes: a outra foi em 1952

Sarah Mervosh / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2019 | 20h29

O acidente deste domingo, 10, com um avião da Ethiopian Airlines, foi o segundo em menos de seis meses envolvendo o recém-lançado Boeing 737 Max. Este era o mesmo modelo de aeronave que caiu na Indonésia em outubro, matando 189 pessoas. É apenas a segunda vez que um modelo com menos de dois anos de lançamento cai duas vezes: a outra foi em 1952.

Nos dois casos a queda se verificou minutos após a decolagem e não houve sobreviventes. A investigação sobre as causas do acidente continua, mas este mais recente levanta dúvidas quanto à segurança do 737 Max, que passou a ser comercializado pela Boeing no fim de 2017 como um avião econômico em termos de uso de combustível e tecnologicamente mais avançado do que seu popular 737.

O modelo 737 Max foi o avião mais rapidamente vendido na história da Boeing e é utilizado por empresas aéreas em todo o mundo.

É a mais nova geração do Boeing 737, aeronave que vem voando desde a década de 1960. Há quatro tipos de 737 Max na frota, de números 7,8,9 e 10. A série oito, envolvida nos acidentes na Indonésia e na Etiópia, era que estava mais em operação.

O 737 Max é muito utilizado para voos de curta e média distância, mas algumas empresas aéreas o utilizam para viagens entre a Europa do Norte e a Costa Leste dos Unidos. É um aparelho mais econômico e tem um alcance mais longo do que versões anteriores do modelo 737. O avião que caiu no domingo faria o trajeto de Adis Abeba, capital da Etiópia, para Nairóbi, no Quênia.

É muito cedo para dizer se as causas da queda do avião operado pela Ethiopian Airlines são as mesmas ou semelhantes àquelas envolvendo o acidente com o aparelho da Lion Air na Indonésia, no ano passado.

Mas há algumas similaridades: no domingo, a aeronave perdeu contato seis minutos após a decolagem. O piloto do avião recebeu autorização para retornar ao aeroporto de Adis Abeba, segundo a Ethiopian Airlines. Mas caiu perto de Bishoftu, cerca de 56 quilômetros a sudeste de Adis Abeba. No caso da Lion Air, o avião também caiu minutos após decolar e depois de a tripulação ser autorizada a retornar ao aeroporto.

Investigações realizadas pelas autoridades da aviação americanas e indonésias concluíram que o mergulho abrupto da aeronave da Lion Air foi causado pela atualização do software da Boeing com o fim de impedir uma perda de sustentação, mas que pode levar o avião a uma descida fatal se as informações de altitude e ângulo no sistema de computador estiverem incorretas.

A mudança no sistema de controle da aeronave, que anula os movimentos manuais no modelo Max, não foi explicada para os pilotos de acordo com alguns sindicatos de aeronautas. Após o acidente, a Boeing disse estar “avaliando a necessidade contínua de mudanças do software, e outras, à medida que tivermos mais informações da investigação em curso”. Não se sabe se a empresa realizou alguma mudança.

Em comunicado no domingo a Boeing disse estar “profundamente entristecida” com a queda do aparelho da Ethiopian Airlines. “Uma equipe técnica da Boeing está pronta para fornecer assistência técnica a pedido e sob a direção da U.S. National Transportation Safety Board”, informou a companhia.

Além da Ethiopian Airlines, reputada por manter uma frota mais nova do que outras empresas aéreas, e da Lion Air, companhia que opera voos econômicos e tem uma longa história de problemas de manutenção das suas aeronaves, muitas companhias aéreas em todo o mundo utilizam este modelo.

Nos Estados Unidos, a American Airlines, a Southwest Airlines e a United Airlines utilizam a aeronave em rotas como Miami-Nova York e Dallas-Chicago. O Boeing 737 Max também é operado pelas Aerolíneas Argentinas, Air China, Icelandair e a LOT Polish Airlines.

Esses aviões ainda mantêm a certificação de aeronavegabilidade pelos órgãos supervisores da aviação. Mas se estiver preocupado, saiba que muitas empresas aéreas mostram o tipo de avião em que você viajará quando faz uma reserva online.

No website da Southwest Airlines, por exemplo, é possível ver o tipo de aeronave que será usada em um determinado trajeto, bastando clicar o número do voo na página em que os preços e horários são exibidos. E também é possível ver esses dados no site seatguru.com. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.