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Acidente com trem na Índia mata ao menos 120 pessoas

Quatorze vagões descarrilaram e muitos passageiros ficaram presos nas ferragens; ainda não está clara a causa da tragédia

O Estado de S. Paulo, Dow Jones Newswires

20 de novembro de 2016 | 08h27

NOVA DÉLHI - Ao menos 119 pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas quando um trem expresso indiano descarrilou ontem de madrugada no Estado de Uttar Pradesh. O número de mortos pode aumentar, pois equipes de resgate faziam uma busca desesperada para localizar sobreviventes nos destroços.

Policiais disseram que havia várias pessoas desaparecidas. Investigadores tentam determinar o que levou 14 vagões do trem, que viajava entre as cidades de Patna e Indore, a saírem dos trilhos em Pukhrayan. Autoridades disseram que estão verificando o estado dos trilhos para tentar descobrir a causa do descarrilamento, a tragédia ferroviária mais mortífera da Índia desde 2010, quando mais de 140 pessoas morreram em uma colisão em Bengala Ocidental.

 

Canais de televisão exibiam imagens de uma composição inclinada, com alguns vagões praticamente esmagados. As equipes de emergência tentavam abrir, com maçaricos, espaço nos vagões de metal.

Em meio a cenas de desespero, sobreviventes procuravam parentes e alguns tentavam entrar nos vagões danificados para tentar resgatá-los ou mesmo recolher pertences, disse a autoridade ferroviária Pratap Rai.

“Estamos usando todas as táticas para salvar vidas, mas é muito difícil cortar os vagões de metal”, disse Rai no local do acidente.

Os trabalhos de identificação dos corpos estão sendo extremamente complicados porque muitos vítimas ficaram desfiguradas ao ser esmagadas pelos vagões que descarrilaram.

Em Indora, cidade do centro do país de onde partiu o trem, dezenas de parentes dos passageiros aguardavam notícias com ansiedade.

O magistrado do Distrito de Kanpur, Kaushal Raj Sharma, afirmou à agência Reuters que 120 pessoas foram confirmadas mortas, enquanto 78 dos feridos permanecem no hospital, 4 em estado crítico.

O ministro de Ferrovias da Índia, Suresh Prabhu, disse no Twitter que unidades médicas móveis foram enviadas ao local do acidente. Além disso, mantimentos estão sendo distribuídos aos sobreviventes que ficaram ilesos ou sofreram ferimentos leves.

“As ações legais mais contundentes serão tomadas contra os responsáveis pelo acidente”, disse Prabhu, que também está enviando outro trem para a região do descarrilamento para que os sobreviventes possam seguir viagem.

Testemunhas afirmaram que ouviram um grande ruído pouco antes de serem projetadas contra as paredes do trem. “Acordamos com um grande barulho. Era de madrugada e os gritos eram ensurdecedores”, afirmou um passageiro à imprensa. “Tenho sorte de ter saído com vida e ileso. Mas foi uma experiência de morte iminente para nós”, disse.

Nitika Trivedi, uma estudante que embarcou no trem com sua família em Patna (leste), ficou traumatizada com a visão dos corpos dos passageiros. “Nunca havia visto algo assim. Estou chocada até o mais profundo de meu ser”, declarou.

A rede ferroviária indiana, com 65 mil quilômetros de trilhos, é a quarta maior do mundo, atrás de Estados Unidos, Rússia e China. Onze mil trens circulam por dia, incluindo 7 mil trens de passageiros que transportam mais de 20 milhões de pessoas. Mas o sistema tem um histórico de segurança ruim, com milhares de pessoas morrendo em acidentes todos anos, em descarrilamentos e colisões.

Segundo o último relatório divulgado pelo Escritório Nacional de Registro de Crimes da Índia, em 2014 foram registrados 28.360 acidentes relacionados com a rede ferroviária, nos quais morreram 25.006 pessoas./AFP, EFE e Reuters

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