Acidente da Columbia não tirará verba da Nasa

O programa espacial norte-americano não será penalizado pelo acidente com o ônibus espacial Columbia, pelo menos do ponto de vista financeiro. A proposta orçamentária para 2004, enviada hoje ao Congresso dos Estados Unidos pelo presidente George W. Bush, prevê um pequeno aumento no dinheiro destindo aos cofres da agência espacial norte-americana (Nasa, por suas iniciais em inglês).O principal projeto na pauta da Nasa atualmente é a construção da Estação Espacial Internacional (ISS), de US$ 95 bilhões, do qual participam 16 países.A contribuição brasileira, que inicialmente envolvia a fabricação de seis peças para o consórcio, está temporariamente congelada e, portanto, não será afetada diretamente. O vôo do primeiro astronauta brasileiro, major Marcos César Pontes, continua em pé, mas ainda sem data marcada.Para a ISS como um todo, a perda do Columbia exigirá, de imediato, uma reorganização do cronograma de montagem, previsto para terminar em 2006."O simples fato de termos apenas três veículos, em vez de quatro, já exigirá uma reprogramação dos vôos", disse o coordenador do programa da ISS no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Petrônio Noronha de Souza. "Qual será extensão dessa reprogramação, ainda é prematuro dizer."Todos os países participantes trabalham com um cronograma comum, que depende dos ônibus espaciais da Nasa e das cápsulas Soyuz, da Rússia, para o transporte das peças e astronautas.Cinco vôos com ônibus espacias para a ISS estavam previstos para este ano, levando cerca de 40 toneladas de equipamentos. A próxima missão deveria partir em março, a bordo da Atlantis, mas todos os vôos estão cancelados até que a causa do acidente com o Columbia seja descoberta."No momento, a recomendação da Nasa é que os planos sejam mantidos", disse Noronha. "O acidente foi com o ônibus espacial, não com a estação. Não há razão para mexer na ISS. Mais cedo ou mais tarde, a montagem será retomada."A produção das peças brasileiras, por outro lado, já está paralisada há pelo menos seis meses por problemas orçamentários. A participação do País no projeto está sendo completamente renegociada com a Nasa - processo que, segundo Noronha, ainda "vai se estender por algum tempo". "A própria Nasa vai levar algum tempo para pôr a casa em ordem depois do acidente", disse.Só a construção da primeira peça nacional, chamada palete expresso, já consumiria mais que o orçamento total para o projeto, de US$ 122 milhões. A montagem do instrumento foi assumida pela agência espacial norte-americana.No dia 15, a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, admitiu que o governo norte-americano poderia reduzir a cota de contribuição do Brasil, depois de uma reunião com o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral. Na ocasião, a embaixadora demonstrou apoio à permanência brasileira no projeto e garantiu que o astronauta brasileiro continuará no programa, independentemente do desfecho das negociações.A questão mais polêmica nas relações entre Brasil e EUA na área espacial também continua pendente. Um acordo entre os dois países para a utilização da Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, fechado em 2000, encontrou forte oposição política, especialmente por parte do Partido dos Trabalhadores, e deve voltar à estaca zero no Congresso.Os críticos alegam que a exigência dos EUA de que brasileiros não participem dos lançamentos norte-americanos na base, excluindo a transferência de tecnologia do acordo, fere a soberania nacional. VEJA O ESPECIAL

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