AFP PHOTO / PIERRE BOUSSEL e REUTERS/Michael Crabtree
AFP PHOTO / PIERRE BOUSSEL e REUTERS/Michael Crabtree

Acidente de Lady Di é cercado por diversas teorias conspiratórias

Muitos chegaram a pensar que o trágico episódio teria sido, na verdade, um complô orquestrado pelos serviços secretos britânicos com o aval do príncipe Philip

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 07h00

PARIS - Complô, atentado, ação direta dos paparazzi... O acidente de carro no qual morreu a princesa Diana deu lugar a todo tipo de teoria conspiratória. Contudo, dois investigadores independentes concluíram que se tratou apenas de um trágico acidente.

No dia 31 de agosto de 1997, à 0h26, a Mercedes que levava Lady Di bateu com força total na 13.ª pilastra do túnel da Ponte d'Alma no 8.º distrito de Paris. Seu companheiro, Dodi Al-Fayed, e o motorista Henri Paul não resistiram ao choque, e Diana morreu algumas horas depois. Seu segurança Trevor Rees-Jones foi o único sobrevivente.

Uma investigação foi aberta pela Justiça francesa. Os fotógrafos, que perseguiam o casal desde sua chegada a Paris, foram questionados, já que seu comportamento poderia ter forçado o motorista a dirigir acima da velocidade. Nove fotógrafos e o motorista foram acusados. Depois de dois anos de investigação, foram absolvidos em um veredicto confirmado pela Corte de Cassação em 2002.

Acompanhada pela imprensa do mundo inteiro, a investigação concluiu que foi um acidente. O comportamento de Henri Paul - sob efeito de álcool e antidepressivos - e a velocidade da limusine - entre 126 e 155 km/h na entrada do túnel - explicaram a perda de controle do veículo.

A tese de um complô - que teria sido orquestrado pelos serviços secretos britânicos com o aval do príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II - foi descartada. Essa hipótese chegou a ser cogitada pelo pai de Dodi, o bilionário egípcio Mohamed Al-Fayed. Uma outra investigação, realizada de 2004 a 2008 no Reino Unido, também concluiu que se tratou de um "trágico acidente".

Veículo misterioso

As investigações revelaram que a Mercedes colidiu com um veículo pouco antes do acidente. Vestígios de tinta foram encontrados na limusine e na parede do túnel.

Um casal francês que estava perto do local do acidente contou à polícia que viu um Fiat Uno branco. Cerca de três mil proprietários desse modelo de automóvel foram interrogados pela polícia, sem resultado, alimentando as teorias conspiratórias.

Em 2007, o motorista foi identificado. "O Fiat não foi responsável pelo acidente, mas foi atingido durante o episódio", revelou uma fonte próxima.

Mercedes

Um livro intitulado "Quem matou a princesa Diana?", publicado em maio pela editora Grasset, revelou que o Mercedes que levava Diana teve uma história agitada.

O primeiro proprietário do carro, o magnata da publicidade Eric Bousquet, comprou-o em 1994. Três meses depois, ele foi roubado antes de ser encontrado em um terreno perto do aeroporto parisiense Charles de Gaulle.

O veículo foi totalmente consertado e comprado por € 40 mil pela Etoile Limousine, a companhia de limusines e veículos de luxo que alugou o carro para o hotel Ritz. Foi lá que Diana e Dodi Al-Fayed jantaram na noite trágica.

"Confiamos neles. Nos disseram que havia sido usada por um dos diretores da Mercedes França", disse o diretor da companhia, Jean-François Musa. "Mas, rapidamente, nos demos conta de que o veículo tinha problemas quando passava dos 70-80 km/h", completou.

O carro foi enviado para a Mercedes, que garantiu, porém, que estava funcionando normalmente. "Usaram peças incompatíveis para reparar o veículo?", questionou Musa, garantindo que os investigadores da morte da princesa nunca o interrogaram sobre isso.

Quatro meses antes do acidente, o carro foi roubado novamente, antes de ser abandonado em uma autoestrada. Foi enviado para uma concessionária que fez reparos de cerca de € 17 mil e devolvido ao grupo Etoile Limousine e ao Ritz, onde foi escolhido para levar Diana.

Apesar disso, durante a investigação, nunca se falou sobre uma eventual responsabilidade da Etoile Limousine ou da Mercedes France. / AFP

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